O serviço público de educação é um pilar essencial e imprescindível de uma democracia que, por definição, garanta a igualdade de oportunidades e o desenvolvimento integral de uma sociedade moderna.
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Eça de Queirós e «Os Maias» (3ª edição)

José Maria Eça de Queiroz, oriundo de Póvoa do Varzim, foi um dos escritores mais expressivos do século XIX. Nascido a 25 de Novembro de 1845, desenvolveu a sua prática literária entre 1860 e 1900, data da sua morte. A originalidade, assim como a riqueza do seu estilo e linguagem, marcaram indelevelmente a literatura portuguesa, não só pelo realismo descritivo, como também pela incisiva crítica social presente nos seus textos. Além de escritor e ensaísta, Eça de Queiroz foi uma personalidade empenhada e interventiva na sociedade em que viveu, tendo mesmo ocupado alguns cargos políticos.
A sua vasta obra, alguma inédita à data da sua morte, encontra-se traduzida um pouco por todo o mundo, permanecendo, assim, viva e actual.

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Portugal sob a lupa de Eça de Queiroz

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«Nesse mesmo ano [1888] aparecem Os Maias, romance onde Eça atinge o zénite da sua carreira de escritor; a técnica romanesca impecável acha-se posta ao serviço de um grande painel desmitificador de uma sociedade corrupta, ultrapassada, de "aristocracia hereditária com base rural». Nas suas páginas, ressuscita a vida mundana de Lisboa de há cem anos. [...] aquilo que noutros romances seus ainda podia ser interpretado como simples sátira, adquire em Os Maias a textura do panfleto bem repensado e posto ao serviço da ideia programática de condenar "toda a sociedade constitucional", como escreveu numa carta enviada a Ramalho [Ortigão].»

MOURA, Helena Cidade (1977). Breve Apresentação, in: Os Maias. Lisboa: Círculo de Leitores, p. 7.
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Disponível para consulta na BECRE:




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Grandes Livros/Episódio 1 - «Os Maias» de Eça de Queirós:




Resumo da obra literária de Eça de Queirós,
incluindo trechos da série da TV Globo (Brasil) baseada em «Os Maias»:
Parte 1/3 - Parte 2/3 - Parte 3/3

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Artigos relacionados:
Eça de Queirós (1845-1900)
«Singularidades de uma rapariga loira» de Eça de Queirós, em debate na BECRE

Hiperligações:
Biblioteca Nacional/Eça de Queirós - bio-bibliografia; iconografia.
Farol das Letras/Eça de Queirós - Cronologia biobibliográfica.
Fundação Eça de Queiroz
Hora'Eça - Cronologia, vida e obra, caricaturas, testes.
Instituto Camões/Eça de Queirós - bio-bibliografia.
Obras de Eça de Queirós - Versões electrónicas com texto integral.
Vidas Lusófonas/Eça de Queirós - Cronologia, vida e obra.

Ana Paula Cardoso
José Fernando Vasco

Ciclo Docs - António Vieira (avaliação)











Divulgam-se os dados estatísticos referentes à avaliação da atividade «António Vieira», inserida no Ciclo Docs.












José Fernando Vasco

António Vieira, escritor do mês (3ª edição)

António Vieira

O céu 'strela o azul e tem grandeza.
Este, que teve a fama e à glória tem,
Imperador da língua portuguesa,
Foi-nos um céu também.


No imenso espaço do seu meditar,
Constelado de forma e de visão,
Surge, prenúncio claro do luar,
El-Rei D. Sebastião.

Mas não, não é luar: é luz do etéreo.
É um dia; e, no céu amplo de desejo,
A madrugada irreal do Quinto Império
Doira as margens do Tejo.

Fernando Pessoa (1934). Mensagem



Testemunhos


«[António Vieira] é o imperador da língua portuguesa»
Fernando Pessoa, escritor


«Ninguém mais que António Vieira parecia predestinado [...] para ser o laço entre os dois mundos, o da Europa meio perdida e o Brasil.»

«António Vieira é uma mistura incomparável de sonhador por conta de um Reino futuro idealmente cristão e um não menos agudo observador da realidade.»
Eduardo Lourenço, ensaísta

«Padre António Vieira, pela vastidão das experiências culturais, políticas, diplomáticas, religiosas, narrativas, proféticas e existenciais, criou ele próprio a personagem do romance que foi a sua vida
Miguel Real, escritor

«António Vieira foi um filósofo no sentido mais amplo e clássico da palavra - teve a ousadia de pensar pela sua cabeça, desbravando os preconceitos do seu tempo. Por isso defendeu os direitos dos índios, a humanidade dos escravos e a competências dos judeus - o que o levou aos calabouços da Inquisição. Foi também um diplomata e um estratega económico - a ele se ficou a dever a criação da Companhia de comércio do Brasil
Inês Pedrosa, escritora e directora da Casa Fernando Pessoa.

«Comparava-se, na sua qualidade de pregador, a um semeador da palavra de Deus, mas [...] a possibilidade de influenciar o poder político assumia nele os sintomas de uma paixão
Maria João Martins, escritora

«Em Vieira, apaixonou-me o [...] exímio escritor [...] o pensador, o político, o homem de Estado, o revolucionário defensor até às últimas consequências dos escravos, dos índios brasileiros explorados pelos colonos [...]»
Seomara da Veiga Ferreira, escritora

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Fundo documental seleccionado, recomendado e disponível
para consulta na BECRE:

VIEIRA, António, padre
Sermões e Cartas do P. António Vieira: Fascículo Segundo / Padre António Vieira; notas de Júlio de Morais. - Braga : Livraria Cruz, 1938. - 144, [1] p.
Literatura portuguesa / Sermões / Barroco / Religião / Crítica social
CDU:  821.134.3-5
Cota: 821.134.3-5 LIT POR VIE  ESCT  02302
VIEIRA, António, Padre
Textos Escolhidos / Padre António Vieira; selecção e prefácio de João Bigotte Chorão. - Lisboa : Editorial Verbo, 1971. - 181, [4] p.. - (Biblioteca Básica
Verbo Livros RTP ; 48)
Literatura portuguesa / Sermões / Barroco / Religião / Crítica social
CDU:  821.134.3-5
Cota: 821.134.3-5 LIT POR VIE
VIEIRA, António, padre
Antologia e Aforismos / Padre António Vieira; ordenação temática e notas de M. Correia Fernandes. - Porto : Telos Editora, 1997. - 216 p.
Contém apresentação com comentários à vida e obra do autor. - Os textos são acompanhados de anotações
ISBN: 972-9334-04-8
Literatura portuguesa / Sermões / Barroco / Religião / Crítica social
CDU:  821.134.3-5
Cota: 821.134.3-5 LIT POR VIE  ESCT  02303

BRAGA, Teófilo
História da literatura portuguesa (recapitulação) / Teófilo Braga ; pref. João Palma-Ferreira. - 3ª ed. - Lisboa : INCM, 2005. - 4 vol. (403,
479, 473, 387 p.). - (Temas portugueses)
Vol. III – Os Seiscentistas
Ed. orig. : 1909 a 1918
Literatura portuguesa / História / Estudos literários
CDU:  821.134.3(091)
Cota: 821.134.3(091) LIT POR BRA  
SARAIVA, António José, e outro
História da literatura portuguesa / António josé Saraiva, Óscar Lopes. - 13ª ed. - Porto : Porto Editora, 1985. - 1218 [+1] p
1ª edição: 1955.
Literatura portuguesa / Literatura portuguesa - história
CDU:  821.134.3 (091)
Cota: 821.134.3(091) LIT POR SAR  ESCT  00235

BREVE HISTÓRIA DA LITERATURA PORTUGUESA - AUTORES: VIDA E OBRA
Breve história da literatura portuguesa - Autores: Vida e obra / Texto Editora. - Lisboa : Texto, 2002. - 265, [7] p. : Fotografias. - (Universal)
972-47-1539-6
Literatura portuguesa / Literatura portuguesa - história
CDU:  821.134.3(091)
Cota: 821.134.3(091) LIT POR BRE  ESCT  04163
CARRILHO, Fernanda
Sermão de Santo António aos peixes, de Padre António Vieira / Fernanda Carrilho. - 3ª ed. - Lisboa : Texto, 2002. - 96 p.. - (Novas Leituras ; 32)
Inclui: texto integral, contextualização do autor e obra, o Barroco, estrutura do sermão, fichas de trabalho com soluções
ISBN: 972-47-1498-5
Literatura portuguesa / Estudos literários / Vieira, António, padre
CDU:  821.1/.9 Vieira, António, padre
Cota: 821.1/.9 Vieira, António, padre LIT POR CAR  ESCT  03409

BORREGANA, António Afonso
O texto em análise - poesia barroca, padre António Vieira, Neoclassicismo, Bocage / António Afonso Borregana. - Lisboa : Texto, 1995.
- 56 p.. - (Novas Leituras ; 13)
972-47-0577-3
Literatura portuguesa / Estudos literários / Barroco - poesia / Vieira, António, padre / Neoclassicismo / Bocage
CDU:  82.09
Cota: 82.09 LIT POR BOR  ESCT  03442


LOPES, Óscar, e outro
História da Literatura Portuguesa [registo CDR] / Óscar Lopes, António José Saraiva. - Porto : Porto Editora, [2002]. - 1 CDROM, : imagens, vídeos, diaporamas, frisos cronológicos
Texto integral de uma das maiores obras de referência na literatura portuguesa, ferramentas de trabalho, conteúdos adicionais, recursos multimédia, palavras clicáveis, bibliografia, elucidário de termos de índole literária

ISBN: 972-0-66006-6

Literatura portuguesa / Literatura portuguesa - história
CDU: 821.134.3(091)
Cota: HIS LOP CDR ESCT 03617
JOFFÉ, Roland, real.
A Missão [registo DVD] / Roland Joffé, real. ; Fernando Ghia e David Puttnam, prod.. - Lisboa : Lusomundo, 2004. - 1 DVD, 120 min. + Opções especiais:menus interactivos, selecção de cenas, "trailer", filmografias, antecedentes do argumento e "making of «The Mission»"
Música de Ennio Morricone. - Argumento de Robert Bolt
Robert de Niro, act.. - Jeremy Irons, act.
Aventura / Drama / Filme histórico / DVD - ficção
Cota: MIS JOF DVD  ESCT  03002
 



Hiperligações:


Programa de Televisão
RTP - Câmara Clara, 10.02.2008



Documentário
«Grandes Livros: Pe. António Vieira - Sermão de Sto. António aos Peixes»





Artigo Relacionado: 
José Fernando Vasco
Ana Paula Cardoso
Conceição Toscano - Sónia Lapa
(tratamento documental)

«Escritor do Mês - José Saramago» (avaliação)


Divulgam-se os dados estatísticos referentes à avaliação da atividade
«Grandes Livros: Memorial do Convento»,
integrada no Ciclo «Escritor do Mês».

José Fernando Vasco

«Escritor do Mês - Eça de Queirós: Os Maias» (avaliação)

Divulgam-se os dados estatísticos
relativos à atividade «Eça de Queirós - Os Maias»,
integrada no Ciclo «Escritor do Mês»



José Fernando Vasco

«Escritor do Mês»: José Saramago (2ª edição)

Se podes olhar, vê. 
Se podes ver, repara.

“Romancista, poeta e dramaturgo, autodidata, José Saramago apenas concluiu estudos secundários, dadas as dificuldades económicas familiares. Desenvolveu um percurso profissional do jornalismo e política, com experiências em serralharia, produção e edição literária, assim como em tradução. Da poesia ao romance, passando pelo conto, crónica, viagem e teatro, é um dos autores portugueses contemporâneos mais conhecido e distinguido internacionalmente.”

Fonte:

José Saramago: um escritor do mundo

Libération, Antoine de Gaudemar:

“Desenhados a partir da realidade ou do misticismo do seu país, os romances de Saramago, que têm uma arquitetura complexa e uma ironia voltairana, demonstram uma riqueza de invenção que ganhou o apoio dos jurados da Suécia.” (6 de Novembro de 1998)


The New York Times, Fernanda Eberstadt:

Saramago tem uma reputação ambígua no seu país natal. Quando ganhou o Prémio Nobel, os leitores portugueses sentiram-se reconhecidos por, finalmente, um compatriota seu ter ganho tão distinto prémio. Apesar disso, muitos parecem não gostar de Saramago. Em parte, tal deve-se ao ressentimento de um País há muito dominado por uma pequena elite. Por outro lado, é também o resultado da inconformada personalidade de Saramago.” (26 de Agosto de 2007)


The New Yorker, James Wood:

“Ele tem a habilidade de parecer sábio e ignorante ao mesmo tempo, como se não fosse mesmo ele a narrar as suas histórias. Frequentemente, ele usa o que podia ser chamado de estilo indireto livre e não identificado – as suas ficções soam como se estivessem a ser contadas não por um autor, mas por um grupo de velhotes sabichões e tagarelas, sentados num porto de Lisboa, a fumar um cigarro, entre eles o próprio escritor.” (27 de Outubro de 2008)


BBC, Afonso Daniels:
"Há poucas dúvidas sobre o seu génio literário. Mas Saramago é ainda mais famoso pelos seus pontos de vista esquerdistas e aguerridos. Recentemente referiu-se ao líder da direita italiana, Sílvio Berlusconi, como vómito. E em 2002, comparou os territórios palestinianos a Auschwitz. «Sou um comunista hormonal. O meu corpo contém hormonas que fazem crescer a minha barba e outras que me transformam em comunista. Mudar, para quê? Isso envergonhar-me-ia. Eu não me quero transformar noutra pessoa» diz o autor” (22 de Junho de 2009)


Público,  Carlos Reis:

“Com José Saramago [...] desaparece não apenas um grande escritor português, mas sobretudo um enorme escritor universal”. [...] fica connosco um universo: esse que Saramago criou, feito de uma visão subversiva da História e dos seus protagonistas, dos mitos estabelecidos e das imagens estereotipadas” (4 de Março de 2011)



Memorial do Convento

Romance de José Saramago publicado em 1982 e reeditado em 2002. A ação de Memorial do Convento desenvolve-se no reinado de D. João V, incidindo designadamente sobre o período de construção do Convento de Mafra, como indicia o título.
O período em questão surge caracterizado através de personagens históricas propriamente ditas, como sejam aquelas da família real, mas também através de atmosferas marcadas por fenómenos populares do tempo, como os famosos autos de fé (em que uma das personagens principais virá a morrer com António José da Silva), as procissões e as touradas. A partir destas coordenadas se configura, por um lado, o mundo artificial e ostentatório da realeza, por outro, um ambiente estratificado de ignorância e superstição evidentes no Portugal da primeira metade do século XVIII, sob a égide do Santo Ofício.
A contaminação desta narrativa pela noção de que a História e mesmo a Literatura fabricam o romance da humanidade a partir do ponto de vista dos seus senhores é evidente em todo o enunciado, nomeadamente a partir da definição das suas personagens principais. É com figuras nobres que Memorial do Convento começa. No entanto, contrariando as expectativas dos leitores, o narrador parece encarar com alguma ironia a sua (ausência de) densidade psicológica, facto que é tanto mais chocante quanto se trata do rei e da rainha. Surpreendentemente, é no meio da multidão, tradicionalmente anónima, que sobressaem, ambos elementos do povo, Blimunda Sete-Luas, a mulher que vê o interior das pessoas se estiver em jejum e Baltasar Sete-Sóis, aquele que perdeu uma mão na guerra, e Bartolomeu de Gusmão, o padre "voador", nos quais assentará a espinha dorsal da ação.
Esta joga-se, por um lado, na edificação do referido Convento ("por um voto que o rei fez se lhe nascesse um filho") e as vidas e fundos que compromete, e, por outro, na construção paralela da Passarola pelas supra citadas personagens principais, espécie de Santíssima Trindade profana.
Enquanto o Convento representa o sacrifício caprichoso da coletividade humana vergada a uma vontade individual e, por conseguinte, a deceção da aventura colectiva humana tal como a História não a conta, a Passarola, construída por Baltasar a partir dos planos de Bartolomeu de Gusmão, e voando graças às vontades humanas contidas nas suas esferas que Blimunda captara nos corpos das pessoas, simboliza de algum modo a condição angélica do Homem, ou, mais do que isso, a revelação da condição humana (nas suas entranhas, nos seus fluidos, nos seus cheiros, nas suas rugas, etc.) como condição divina: "Deus estava fora do homem e não podia estar nele, depois, pelo sacramento passou a estar nele, assim o homem é quase Deus, ou será afinal o próprio Deus, sim, sim, se em mim está Deus, eu sou Deus, sou-o de modo não trino ou quádruplo, mas uno, uno com Deus". É esta revelação "sacrílega" que enlouquece Bartolomeu, levando-o a tentar queimar a Passarola depois de, temendo o Santo Ofício, ter nela fugido, com Baltasar e Blimunda.
Depois da aventura da Passarola, Baltasar trabalhará ainda no Convento, esse monumento cuja massa monstruosamente inumana vai ascendendo, apesar de tudo, como a Passarola, e revelando a história profana do Homem como uma história de redenção.
Deste modo, José Saramago reescreve as convenções históricas, religiosas e literárias da nossa cultura, mostrando, como salienta Eduardo Lourenço, que, à semelhança da Passarola, "o fim de toda a ficção é voar, elevar-se sobrevoando, não céus inexistentes nem realidades mágicas, mas descolar da sua própria realidade humana, pesada, obscura, opaca, para ver melhor ou de outra maneira (...)". Em finais dos anos noventa, esta obra foi adaptada ao teatro por Manuel Real e Filomena Oliveira.
Fonte:






Vídeos

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Títulos selecionados e disponíveis
para consulta na BECRE:

Sobre José Saramago


 Obras selecionadas de José Saramago



Sobre a obra "Memorial do Convento"


Filme em DVD, baseado em obra de José Saramago




Artigos relacionados:
«A maior flor do mundo» de José Saramago
«Dia José Saramago» no Centro Cultural de Belém (CCB)
José Saramago (1922-2010)
Lançamento do livro «José Saramago nas Suas Palavras»
Morreu José Saramago, Nobel da Literatura 1998

José Fernando Vasco
Ana Paula Cardoso
Conceição Toscano, Sónia Lapa
(tratamento documental)
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