O serviço público de educação é um pilar essencial e imprescindível de uma democracia que, por definição, garanta a igualdade de oportunidades e o desenvolvimento integral de uma sociedade moderna.
Mostrar mensagens com a etiqueta Literatura Portuguesa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Literatura Portuguesa. Mostrar todas as mensagens

Cristina Carvalho na 4ª sessão de «O Prazer de Ler+»


Cristina Carvalho, autora de «O gato de Uppsala» e «Nocturno» (recomendados pelo Plano Nacional de Leitura para os ensinos básico e secundário) estará amanhã - 27 de fevereiro, pelas 19:30 horas - na Biblioteca Escolar da ES Cacilhas-Tejo e no âmbito de «O Prazer de Ler +», o programa de promoção do livro e da leitura da iniciativa conjunta da BECRE e do CNO de Cacilhas.

Sendo filha do professor e poeta Rómulo de Carvalho/António Gedeão e da escritora Natália Nunes, a sua aproximação à leitura e à escrita foi natural: publicou contos em várias revistas e jornais, nomeadamente no Jornal de Letras e Revista Egoista. O seu primeiro livro «Até já não é adeus» (1989) foi considerado por David Mourão-Ferreira como uma "surpreendente novidade".

Em 2009, Cristina Carvalho revelou de forma definitiva ao público leitor duas das suas grandes paixões: a Escandinávia e, em particular, a Suécia; e Fryderyk Chopin, com as suas duas obras antes referidas.

Em 2011, fez um incursão no mundo da literatura infanto-juvenil com «Tarde fantástica» e publica «A casa das auroras» e «Lusco-fusco», ambas recomendadas por «Ler+ Ler Melhor».

Obras de Cristina Carvalho

CARVALHO, Cristina (1989). Até já não é adeus. Ponta Delgada: Signo.
CARVALHO, Cristina (1992). Momentos misericordiosos. Lisboa: Relógio d’Água.
CARVALHO, Cristina (1996). Ana de Londres. Lisboa: Relógio d’Água.
CARVALHO, Cristina (2003). Estranhos casos de amor. Lisboa: Relógio d’Água.
CARVALHO, Cristina (2009). O gato de Uppsala. Lisboa: Sextante.
CARVALHO, Cristina (2009). Nocturno: o romance de Chopin. Lisboa: Sextante.
CARVALHO, Cristina (2011). Tarde fantástica. Vila Nova de Gaia: 7dias6noites.
CARVALHO, Cristina (2011). A casa das auroras. Lisboa: Planeta.
CARVALHO, Cristina (2011). Lusco-fusco. Lisboa: Sextante.

Disponíveis para consulta na BECRE


Ler Mais, Ler Melhor: «O gato de Uppsala» 


...........................................................................


Ler Mais, Ler Melhor: «Nocturno: o romance de Chopin»


...........................................................................


Ler Mais, Ler Melhor: «Lusco-fusco»


Hiperligações:
Lusco-fusco (Clube dos Livros)

José Fernando Vasco

Eça de Queirós e «Os Maias» (2ª edição)

José Maria Eça de Queiroz, oriundo de Póvoa do Varzim, foi um dos escritores mais expressivos do século XIX. Nascido a 25 de Novembro de 1845, desenvolveu a sua prática literária entre 1860 e 1900, data da sua morte.  
A originalidade, assim como a riqueza do seu estilo e linguagem, marcaram indelevelmente a literatura portuguesa, não só pelo realismo descritivo, como também pela incisiva crítica social presente nos seus textos.
Além de escritor e ensaísta, Eça de Queiroz foi uma personalidade empenhada e interventiva na sociedade em que viveu, tendo mesmo ocupado alguns cargos políticos.
A sua vasta obra, alguma inédita à data da sua morte, encontra-se traduzida um pouco por todo o mundo, permanecendo, assim, viva e actual.

________________________________________________________________

Portugal sob a lupa de Eça de Queiroz

________________________________________________________________

«Nesse mesmo ano [1888] aparecem Os Maias, romance onde Eça atinge o zénite da sua carreira de escritor; a técnica romanesca impecável acha-se posta ao serviço de um grande painel desmitificador de uma sociedade corrupta, ultrapassada, de "aristocracia hereditária com base rural». Nas suas páginas, ressuscita a vida mundana de Lisboa de há cem anos. [...] aquilo que noutros romances seus ainda podia ser interpretado como simples sátira, adquire em Os Maias a textura do panfleto bem repensado e posto ao serviço da ideia programática de condenar "toda a sociedade constitucional", como escreveu numa carta enviada a Ramalho [Ortigão].»

MOURA, Helena Cidade (1977). Breve Apresentação, in: Os Maias. Lisboa: Círculo de Leitores, p. 7.
________________________________________________________________

Disponível para consulta na BECRE:




________________________________________________________________ 

Grandes Livros/Episódio 1 - «Os Maias» de Eça de Queirós:




Resumo da obra literária de Eça de Queirós,
incluindo trechos da série da TV Globo (Brasil) baseada em «Os Maias»:
Parte 1/3 - Parte 2/3 - Parte 3/3

________________________________________________________________

Artigos relacionados:
Eça de Queirós (1845-1900)
«Singularidades de uma rapariga loira» de Eça de Queirós, em debate na BECRE

Hiperligações:
Biblioteca Nacional/Eça de Queirós - bio-bibliografia; iconografia.
Farol das Letras/Eça de Queirós - Cronologia biobibliográfica.
Fundação Eça de Queiroz
Hora'Eça - Cronologia, vida e obra, caricaturas, testes.
Instituto Camões/Eça de Queirós - bio-bibliografia.
Obras de Eça de Queirós - Versões electrónicas com texto integral.
Vidas Lusófonas/Eça de Queirós - Cronologia, vida e obra.

Ana Paula Cardoso
José Fernando Vasco

«Fernando Pessoa, plural como o universo» em Lisboa

Foto de Márcia Lessa

«Exposição dedicada a Fernando Pessoa e aos seus heterónimos, que pretende mostrar toda a multiplicidade da obra do grande poeta de língua portuguesa, conduzindo o visitante numa viagem sensorial pelo universo de Pessoa, para que leia, veja, sinta e ouça a materialidade das suas palavras. Com curadoria de Carlos Felipe Moisés e Richard Zenith, nesta exposição encontra-se um espaço repleto de poemas, textos, documentos, fotografias e pintura, onde se incluem raridades como a primeira edição do livro Mensagem, com uma dedicatória escrita pelo poeta.»

Fernando Pessoa, Plural como o Universo
De 10 Fev 2012 a 30 Abr 2012
Todos os dias das 10:00 às 18:00
Curadoria: Carlos Felipe Moisés e Richard Zenith
Encerra Segunda-feira e domingo de Páscoa
Edifício Sede

Fonte:
Fundação Calouste Gulbenkian

Artigo relacionado:
«Fernando Pessoa - plural como o Universo»
José Fernando Vasco

Padre António Vieira e os (des)favorecidos

A defesa dos desfavorecidos e oprimidos, nomeadamente dos indígenas, foi sempre uma questão relevada nas reflexões e nos ideais visionários de Pe. António Vieira.

Tal afirmação é suportada por diversas acções de Vieira, como por exemplo, a sua ida para o Reino, em busca da salvação dos Índios. Contudo, os indígenas são apenas um exemplo dos “desfavorecidos” pois, na actualidade, muitos de nós também o somos pela corrupção que nos rodeia, pelas injustiças que ilustram o nosso horizonte e pela crueldade soberana num império onde a ambição é rainha.

Pe. António Vieira, ao pregar a doutrina de Cristo, pretendia que os homens deixassem de ser desfavorecidos e oprimidos pois todo o património moral dos racionais está coberto de repreensões. Nas nossas águas navegam muitos polvos, colados a nós nadam muitos pegadores a quererem ofuscar-nos, à nossa volta temos muitos roncadores e voadores e, como se não bastasse, temos imensos candidatos implacáveis, de dentes afiados a quererem comer-nos. É por isto que afirmo que até mesmo nós, sociedade actual, somos extremamente desfavorecidos. E antes fosse de bens materiais do que morais!

Na minha opinião, está na hora de o sal começar realmente a salgar, seja sob a forma de pregadores ou não. António Vieira fez o que podia, mas a corrupção falou mais alto. Não será agora a altura perfeita para a desforra?...

Patrícia Lima
(aluna CCH - Ciências e Tecnologias)

O Prazer de Ler+ III: «Palavras Nossas» - «o homem sonha, a obra nasce»

 

No passado dia 31 de janeiro de 2012, pelas 19:30 horas na BECRE, realizou-se a terceira sessão de «O Prazer de Ler+» - o programa de promoção do livro e da leitura, co-organizado pela BECRE e pelo Centro Novas Oportunidades de Cacilhas - exclusivamente dedicado à produção poética portuguesa contemporânea da edição de «Palavras Nossas», coordenada por Miguel Almeida e publicada pela Esfera do Caos.

Perante uma plateia composta por adultos em processo RVCC ou integrados em cursos EFA, Miguel Almeida começou por esclarecer o processo de edição desta coletânea de poesia que, na sua opinião e na da crítica especializada, traduziu a coragem editorial de publicar a produção poética diversificada e inédita de autores nunca antes publicados.
Nas palavras de Miguel Almeida, responsável pela leitura e garante de qualidade da poesia selecionada, «Palavras Nossas» mostra um pouco da portugalidade, ao reunir poetas de diversos escalões etários, proveniências geográficas e sensibilidades, temáticas e registos poéticos diversificados.


Miguel Almeida, evocando Fernando Pessoa e Sebastião da Gama,
enalteceu a coragem dos diversos poetas em ultrapassarem
o receio de uma primeira publicação:

«o homem sonha, a obra nasce.»
(Fernando Pessoa)

«Pelo sonho é que vamos»
(Sebatião da Gama)




"Poetas portugueses de agora":
Chico Mendes, Pedro Martins, António Borrego, Noélia Santa Rosa,
Álvaro Gomes, Miguel Almeida, João Carlos

....................................................................................................................................

 Divulgam-se os dados estatísticos relativos
à avaliação da terceira sessão de «O Prazer de Ler+», 
integrada no Ciclo Conferências.




Artigos relacionados:
O Prazer de Ler+ II: «Melodia de Água» por Américo Morgado
O Prazer de Ler+ I: Carmo Miranda Machado e «O Homem das violetas roxas»

José Fernando Vasco

«Dicionário de Luís de Camões» sob coordenação de Vítor Aguiar e Silva

Sob coordenação de Vítor Aguiar e Silva, professor jubilado da Universidade do Minho, membro efetivo da Academia das Ciências de Lisboa e doutor honoris causa da Universidade de Lisboa, o «Dicionário de Luís de Camões» proporciona ao leitor «informação abundante, rigorosa e atualizada sobre a biografia, a obra lírica, épica, dramatúrgica e epistolar de Camões, sobre a sua contextualização histórico-literária, sobre os seus problemas filológicos, sobre a influência e a crítica camonianas nos diversos períodos da literatura portuguesa e, numa perspetiva comparatista, sobre a receção de Camões nas principais literaturas mundiais, desde a espanhola à brasileira e à norte-americana. É cocedida especial atenção à relevância da tradição clássica na obra de Camões e às relações sobretudo da sua poesia lírica e épica com a literatura castelhana e com a literatura italiana dos séculos XV e XVI. [...] A bibliografia que acompanha os artigos do Dicionário, criteriosamente selecionada, é um valioso instrumento de informação para os leitores e estudiosos da obra do maior poeta da língua portuguesa.»

Fonte:
Badana lateral direita de «Dicionário de Luís de Camões»

Artigo relacionado:
Luís Vaz de Camões e «Os Lusíadas» (2ª edição)
José Fernando Vasco

Almeida Garrett e o Romantismo em Portugal

«João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett nasceu em 1799 no Porto e faleceu em Lisboa em 1854 .
É provavelmente o escritor português mais completo de todo o século XIX, porquanto nos deixou obras-primas na poesia, no teatro e na prosa, inovando a escrita e a composição em cada um destes géneros literários.

A vida
Na infância recebeu uma formação religiosa e clássica.
Concluiu o curso de Direito em Coimbra, onde aderiu aos ideais do liberalismo.
Em 1823, após a subida ao poder dos absolutistas, é obrigado a exilar-se em Inglaterra onde inicia o estudo do romantismo (inglês), movimento artístico-literário então já dominante na Europa.
Regressa em 1826 e passa a participar na vida política; mas tem de exilar-se novamente em Inglaterra em 1828, depois da contra-revolução de D. Miguel. Em 1832, na Ilha Terceira, incorpora-se no exército liberal de D. Pedro IV e participa no cerco do Porto.
Exerceu funções diplomáticas em Londres, em Paris e em Bruxelas. Após a Revolução de Setembro (1836) foi Inspector Geral dos Teatros e fundou o Conservatório de Arte Dramática e o Teatro Nacional.
Com a ditadura cabralista (1842), Garrett é posto à margem da política e inicia o período mais fecundo da sua produção literária. Durante a Regeneração (1851) recebe o título de visconde e é nomeado Ministro dos Negócios Estrangeiros.

A obra
Tem o grande mérito de ser o introdutor do Romantismo em Portugal ao nível da criação textual - processo que iniciou com os poemas Camões (1825) e D. Branca (1826).
Ainda no domínio da poesia são de destacar o Romanceiro (recolha de poesias de tradição popular cujo 1.º volume sai em 1843), Flores sem Fruto (1845) e a obra-prima da poesia romântica portuguesa Folhas Caídas (1853) que nos dá um novo lirismo amoroso.
Na prosa, saliente-se O Arco de Sant'Ana (1.º vol. em 1845 e 2.º em 1851), romance histórico, e principalmente as suas célebres Viagens na Minha Terra (1846). Com este livro, a crítica considera iniciada a prosa moderna em Portugal.
E quanto ao teatro, deve mencionar-se Um Auto de Gil Vicente (1838), O Alfageme de Santarém (1841) e sobretudo o famoso drama Frei Luís de Sousa (1844).»

Fonte:

Grandes Livros - Almeida Garrett. Viagens da Minha Terra

Literatura Portuguesa - Almeida Garrett

 


Recursos complementares selecionados, aconselhados e disponíveis
para consulta na BECRE


Hiperligações:
Arqnet/Almeida Garrett
Biblioteca Digital Camões/Almeida Garrett
Biblioteca Nacional/Almeida Garrett
Edusurfa/Almeida Garrett
Wikipedia/Almeida Garrett

Artigos relacionados:
Fernando Pessoa, «Escritor do Mês» (3ª edição)
Luís Vaz de Camões e «Os Lusíadas» (2ª edição)
Padre António Vieira, escritor do mês (2ª edição)

José Fernando Vasco
Conceição Toscano, Sónia Lapa
(tratamento documental)

Luís Vaz de Camões e «Os Lusíadas» (2ª edição)

 
Camões, grande Camões, quão semelhante

Camões, grande Camões, quão semelhante
Acho teu fado ao meu, quando os cotejo!
Igual causa nos fez, perdendo o Tejo,
Arrostar co'o sacrílego gigante;

Como tu, junto ao Ganges sussurrante,
Da penúria cruel no horror me vejo;
Como tu, gostos vãos, que em vão desejo,
Também carpindo estou, saudoso amante.

Ludíbrio, como tu, da Sorte dura
Meu fim demando ao Céu, pela certeza
De que só terei paz na sepultura.

Modelo meu tu és, mas... oh, tristeza!...
Se te imito nos transes da Ventura,
Não te imito nos dons da Natureza.

Manuel Maria Barbosa du Bocage
«Rimas»

«Tem-se afirmado que Camões é o artista mais completo que produziu o Renascimento. Efectivamente, nenhum é mais representativo dessa grande época, que muitos julgam ainda o oposto da Idade-Média. Camões precisamente demonstrou, pela sua obra, que as duas épocas não são inconciliáveis, antes se completam uma à outra Há nela, tanto na épica como na lírica, e até na dramática, a fusão de três elementos fundamentais: a herança do passado greco-latino, a tradição nacional da Idade-Média, e o sentido da actualidade e do exótico. Vejamos esses três elementos, em cuja síntese superior se manifesta o verdadeiro homem da Renascença.
Camões, como nenhum dos nossos escritores, embebeu-se de cultura greco-latina. Teve também a felicidade de viver e ser criado num tempo excepcional, em que as disciplinas humanísticas, trazidas até cá por grandes professores, floresciam entre nós intensamente. Assimilou-as perfeitamente; e guardou dessa lição dos antigos o amor da beleza plástica e da beleza ideal, que joga tão harmoniosamente na sua obra. Disse um grande escritor moderno, Teixeira Gomes, que ninguém como Camões entre nós soube exprimir as atitudes dos corpos desnudados, à maneira antiga, helénica. E ninguém como ele, ainda à maneira grega e platónica, soube fundar na visão dos corpos belos toda uma teoria de amor ideal, fonte de delícias e instrumento do Bem.
A par dos elementos da cultura clássica, recriados pelo grande artista, vive nele a tradição nacional, representada em quatro séculos de esforços para engrandecer o «ninho paterno». Camões viu nesse tipo ideal do Português, talhando o seu destino à espadeirada, soberbo e dominador, uma figura incomparável de epopeia. Fez com ele os Lusíadas. O que interessa no poema não é Vasco da Gama, rude capitão sem luzes de cultura, a quem o próprio poeta não poupa o seu desdém; são as armas e os barões que criaram o Império, e os antepassados que, com esforço ininterrupto, tinham possibilitado essa prodigiosa criação. O presente e o passado andam no poema intimamente ligados. O poeta faz reviver a tradição por meio de «medalhões», pequenos episódios da história nacional: assim numa sala-de-armas os painéis que pendem das paredes lembram de contínuo as façanhas dos avoengos, dando silenciosas lições de heroísmo. Foi isto que pretendeu Camões: eternizar num momento dado o labor secular da grei, tanto mais para desejar quanto a experiência já lhe fazia ver as debilidades dessa construção magnífica. É significativo a esse respeito o tom diferente com que principia e acaba o poema. Ao começo um clamor triunfal, um alarido de vitórias; para o fim uma espécie de dobrar de finados, que culmina naquela definição tão triste e tão verídica da nossa decadência (Canto X, Est. 145):

O favor com que mais se acende o engenho
não no dá a pátria, não, que está metida
no gosto da cobiça e na rudeza
düa austera, apagada e vil tristeza.»

LAPA, Rodrigues (1962). Prefácio a Líricas de Camões.
Lisboa: textos literários, X-XV

 



Literatura Portuguesa - Luís Vaz de Camões
Catálogo BECRE

CD-ROM 
disponíveis para consulta na BECRE



Hiperligações: 

Vídeos:


RTP. Grandes Livros: “Os Lusíadas” de Luís Vaz de Camões 



RTP. Grandes Portugueses: Luís Vaz de Camões



Leitão de Barros (1946). Camões 



Artigos relacionados: 
Carl Sagan
Fernando Pessoa, «Escritor do Mês» (3ª edição)Luís de Camões: «a chama imensa, a imensa força»
Luís de Sttau Monteiro (1926-1993)
«O Principezinho» de Antoine Saint-Exupéry
Padre António Vieira, escritor do mês (2ª edição)

Hiperligações:

José Fernando Vasco

«Dizendo e Cantando Ary dos Santos» no Centro Cultural de Carnide

A Umbigo - companhia de teatro apresenta o espectáculo "Dizendo e Cantando Ary dos Santos" no Centro Cultural de Carnide, dias 20 e 21 de janeiro pelas 21h30 e dia 22 de Janeiro às 16h.
Mais informações para umbigoteatro@gmail.com ou 916617601

SINOPSE
Por onde nos pode levar a poesia do Ary dos Santos se nos deixarmos levar por ela? Foi ao tentar responder a esta pergunta que nos deixámos levar por este mundo apaixonante de ruptura. O resultado, é um espectáculo que ultrapassa em muito o recital ou até a leitura encenada. Esta apresentação, dividida em duas partes, tenta explorar tanto a ironia e o olhar crítico de Ary dos Santos, em relação à sociedade como o seu lado mais nocturno, amoroso e de ruptura com o “status quo” moral vigente.
“Dizendo e cantando Ary dos Santos”, é uma soma integrada de quadros dramatúrgicos em volta da poesia, utilizando a ausência e presença como veículo de propagação da palavra deste autor, complementados por jogos físicos que procuram fortalecer a interpretação dos conteúdos apresentados.
Fonte:

José Fernando Vasco

«A poesia de Fernando Pessoa»


Fernando Pessoa representa uma figura inigualável, de uma grandiosidade poética marcante que sempre tendeu a não se cingir apenas ao seu próprio tempo, entoando ainda nos dias de hoje com a mesma preciosidade e originalidade com que se estreou.

Pessoa dota o papel em branco de incontáveis e pesadas emoções, com uma surpreendente audácia e uma capacidade brilhante, facilmente desenhando sentimentos de solidão, frustração, cansaço, tédio ou desespero, ao constatar o aprisionamento da sua pessoa a uma perigosa lucidez que o atormenta continuamente e que se traduz numa luta constante com o seu próprio eu.

É neste facto que habita o factor intemporal da poesia de Pessoa: um transbordar de pensamentos, uma preocupação constante com a obtenção de felicidade e do encontro da nossa própria identidade, uma saudade triste relativa a tempos felizes... sentimentos que assaltam tantas vezes a tranquilidade dos demais seres humanos.

Porém, apesar da existência de uma identificação pontual bastante forte com a natureza da temática do poeta em questão, não considero vantajosa a adopção da sua típica posição negativista constante, a sua dor de viver, o seu implícito desejo de vestir uma outra pele que não a sua.

Pessoa, prisioneiro da sua lucidez, tenta por diversas vezes alcançar um anti-sentimentalismo, conseguido pela intelectualização das suas emoções, que o próprio considera essencial à poesia. Este fingimento artístico é, sem dúvida, uma beleza poética fingida, na qual se silenciam inúmeros detalhes emocionais, na qual escapa aos olhos do leitor a verdadeira essência do poeta, e que, devido a esses mesmo factos, não patrocino.

Porém, considero notável o facto de que esta constante luta conduz Pessoa à sua própria divisão por diferentes personalidades e ideais em conflito dentro de si, distribuindo-as por três heterónimos, de naturezas bastante distintas, que é feito com uma tremenda habilidade como se de três autores distintos se tratasse, e, do ponto de vista psicológico, um tanto curioso a maneira como se deixava conduzir por personalidades distintas, subordinando-se por completo a estas, e considerando que com elas teria muito a aprender... é maravilhoso como tateava a “loucura” com uma lucidez plena. O carinho, relativamente à obra do poeta em questão, espera-se intemporal, pois dificilmente a articulação perfeita de sentimentos e a mestria com que brincava com as palavras dotarão outro ser-humano com a mesma genialidade como dominavam Pessoa.
Ana Maria Pereira
(aluna CCH - Línguas e Humanidades)

«A influência da poesia de Fernando Pessoa na minha visão do mundo, da vida e da poesia...»


Fernando Pessoa é o poeta mais contemporâneo que estudei até agora, talvez seja por isso que é fácil identificar-me com a sua poesia.
Pessoa tem uma poesia intemporal. Apesar de ter surgido numa época de evolução cultural em Portugal com a vaga do Modernismo, não ficou presa no tempo, ainda hoje, nos nossos dias, numa sociedade completamente diferente da dos inícios do século XX e num mundo em que tudo muda e se transforma num segundo, a poesia de Pessoa mantêm-se inalterável.
Talvez seja este o facto que me permite que, através da poesia de Fernando Pessoa e dos seus heterónimos, seja possível reflectir sobre o mundo. Ao ler os poemas de Pessoa é provável que nos questionemos sobre o mundo que nos rodeia. Por um lado, podemos reflectir sobre o impacto do conhecimento no mundo, será que se o Homem não tivesse tamanha sede de conhecimento, lidaríamos hoje com algumas das maiores catástrofes da Humanidade como as guerras ou aquecimento global? Tudo isto é fruto do comportamento do Homem. Por outro lado, será que se não estivéssemos tão presos ao pensamento, éramos felizes? Ou o conhecimento é algo inevitável sem o qual não sobreviveríamos?
Se por um lado, podemos reflectir sobre o mundo, é mais natural ainda que através das palavras do poeta reflictamos sobre a nossa própria vida e sobre a forma como a encaramos. Pessoa concentra em si, ortónimo e seus heterónimos, as diversas filosofias de vida: se com Alberto Caeiro somos levados a reflectir sobre a pureza, a inocência e o determinismo da Natureza, sobre a forma simples como é possível ser feliz com pouco, apenas pelo convívio com a Natureza, já com Ricardo Reis tudo muda. Somos confrontados com uma visão muito mais racional da vida, construída sobre um equilíbrio entre o que se sente e o que se pensa, sem nunca ser levado pelas emoções de forma excessiva. Talvez me identifique mais com a forma racional de Ricardo Reis encarar a vida, embora admire muito a forma simples e natural como Alberto Caeiro é feliz.
Assim, considero, sem dúvida, que a poesia de Fernando Pessoa alterou a forma como vejo a poesia, uma vez que ao refletir sobre temas intemporais como a vida, o mundo e tudo o que nos rodeia, vou construindo a minha própria identidade.
Ana Martins
(aluna CCH - Línguas e Humanidades)

«Como Fernando Pessoa me mudou…»


Sim, admito que nunca fui grande fã de poesia, e, portanto, não me senti minimamente entusiasmada quando me apercebi de que ia estudar Fernando Pessoa, durante grande parte do ano. Sempre olhei para a poesia como séries de palavras conjugadas “ao calhas”. Imaginava os poetas na generalidade como pessoas que como não tinham jeito para escrever e, como queriam reconhecimento e fama, limitavam-se a inventar frases com palavras e sentidos que ninguém percebe. Depois, cada estudioso que lesse esse poema inventaria um significado profundo para ele que muito provavelmente nem sequer existe. Admito também que sempre preferi ou achei que preferia as matemáticas e as coisas objectivas, o resto não era legítimo.

Começámos por dar Fernando Pessoa ortónimo, e numa primeira leitura não me surpreendi, “é apenas mais um que gosta de inventar que sabe o que está a escrever”. Continuei, persistente, a ler e a ler e, para meu espanto, reconheci nos poemas os meus sentimentos e pensamentos, aqueles que às vezes me passam pela cabeça, mas que me esqueço de voltar a pensar neles e exteriorizá-los. Talvez por ter achado que seriam tolos e sem importância. Devo confessar que foi um alívio descobrir alguém que poderia compreender, certas reflexões que me ocorrem, e (quem diria?) logo um poeta! Não admira que seja um ícone da literatura portuguesa, este senhor até diz coisas explícitas e com sentido!

Ao contrário de muita gente, não achei estranha a divisão de Fernando Pessoa em vários heterónimos. Comparei com o meu caso: na minha vida deparo-me com muitas situações diferentes, e também eu olho para elas com visões distintas, que dependem do meu humor ou de acontecimentos externos. Na minha opinião, todos nós temos de certa forma a alma fragmentada e cada fragmento vem ao exterior “à vez”.

Gostei bastante de Alberto Caeiro. A sua forma simples e pura de ver o mundo e a Natureza tal como são despertaram em mim o fragmento natural e descomplicado. Ler os seus textos é como estar presente na paisagem e saboreá-la no momento, ouvir e ver só a ler. É difícil explicar, mas é como um método imediato de transporte para um prado no Alentejo, que se torna infalível quando conjugado com a concentração e um pouco de imaginação. Ricardo Reis também mereceu sem dúvida a minha reflexão, embora não tenha sido tão fácil simpatizar com ele como com Alberto Caeiro. Passei a ter em conta a ideia de carpe diem; Ricardo Reis ensinou-me que todas a experiências são para ser aproveitadas ao máximo, pois nunca se sabe o que o Destino nos reserva. Esta máxima é tão certa para mim, como a Bíblia para um cristão. Os seres humanos possuem uma característica que os impede de gozar a vida: a banalização das coisas. Isto acontece com toda a gente, é inevitável. É como quando recebemos um presente no Natal e passado algum tempo deixamos de lhe dar valor, ou como quando tomamos algo por garantido e não damos graças por o termos. É esta característica que nos impede de dar valor ao que possuímos, que nos torna ingratos, descontentes e permanentemente à procura de algo que não temos. Ricardo Reis poderia ensinar a muitas pessoas que andam por aí desagradadas com tudo na vida a aceitarem e aproveitarem o que têm. Embora siga este lado da sua visão, há algumas ideias com as quais eu não concordo: não considero que sejamos escravos do Destino ou que a sua aceitação seja um acto triste. Sim, é possível que o Destino exista, mas isso não implica que nos conformemos com situações desagradáveis que podemos mudar. Lutar pelos nossos sonhos e acreditar que é possível alcançá-los se fizermos por isso é algo que nunca podemos esquecer.

Em jeito de conclusão, considero que o resultado do encontro com Fernando Pessoa foi, numa palavra, inesperado. Olhando para o que mudou em mim, é certo que aprendi, mas mais importante, a poesia pôs-me a pensar e a comparar o sujeito poético, comigo mesma e com as minhas ideias. Ajudou-me a auto conhecer-me, a passar algum tempo a por os pensamentos em ordem e a encarar o mundo e os contextos com outros modos.
 
Ana Miranda
(aluna CCH - Ciências e Tecnologias)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...