O serviço público de educação é um pilar essencial e imprescindível de uma democracia que, por definição, garanta a igualdade de oportunidades e o desenvolvimento integral de uma sociedade moderna.
1971: revolução na música portuguesa ... em França !
Nesse ano, José Mário Branco lançou as duas obras maiores da música portuguesa da década de 70. Uma como autor, «Mudam-se os tempos...» - com a participação de Sérgio Godinho que, nesse mesmo ano, lançou o seu primeiro disco, «Os sobreviventes»; outra como autor dos arranjos do mítico «Cantigas do Maio» de José Afonso.
O tema título do célebre disco ... a fonte, o poeta português por definição: Luís Vaz de Camões.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Um poema declamado, uma canção murmurada em muitas colectividades portuguesas de 1968. A «Primavera Marcelista» deixou escapar, nas malhas da censura, «Livre» do EP (Extended Play, que conceito tão estranho para 2011) de Manuel Freire.
Ficou a mensagem:
Não há machado que corte a raiz ao pensamento
... porque é livre como o vento
Livre
(1968)
Letra: Carlos de Oliveira
Música: Manuel Freire
Não há machado que corte a raiz ao pensamento Não há machado que corte a raiz ao pensamento Se ao morrer o coração morresse a luz que lhe é querida sem razão seria a vida sem razão Nada apaga a luz que vive num amor num pensamento porque é livre como o vento porque é livre
«Quem faz um filho, fá-lo por gosto» - escândalo nacional em 1969!
No entanto, a canção ganha o mais importante certame musical nacional da época: o Festival RTP da Canção.
Tal não impediu que fossem feitos os comentários mais jocosos e moralistas em relação à interprete, Simone de Oliveira, que acabou por pagar um preço alto por ser a voz das palavras de Ary dos Santos.
«Desfolhada» é um grito de liberdade num ano de expectativa perante a tímida, incoerente e pouco florida «primavera marcelista»; é igualmente um sinal da mudança de mentalidades que iria acelerar nas décadas de 70 e 80 do século XX.
Desfolhada
(1969)
Letra: José Carlos Ary dos Santos
Música: Nuno Nazareth Fernandes
Corpo de linho
lábios de mosto
meu corpo lindo
meu fogo posto.
Eira de milho
luar de Agosto
quem faz um filho
fá-lo por gosto.
É milho-rei
milho vermelho
cravo de carne
bago de amor
filho de um rei
que sendo velho
volta a nascer
quando há calor.
Minha palavra dita à luz do sol nascente
meu madrigal de madrugada
amor amor amor amor amor presente
em cada espiga desfolhada.
Minha raiz de pinho verde
meu céu azul tocando a serra
oh minha água e minha sede
oh mar ao sul da minha terra.
É trigo loiro
é além tejo
o meu país
neste momento
o sol o queima
o vento o beija
seara louca em movimento.
Minha palavra dita à luz do sol nascente
meu madrigal de madrugada
amor amor amor amor amor presente
em cada espiga desfolhada.
Olhos de amêndoa
cisterna escura
onde se alpendra
a desventura.
Moira escondida
moira encantada
lenda perdida
lenda encontrada.
Oh minha terra
minha aventura
casca de noz
desamparada.
Oh minha terra
minha lonjura
por mim perdida
por mim achada.
Em 1962, Carlos Paredes, o génio da guitarra portuguesa compôs «Verdes Anos», um dos símbolos da portugalidade mais reconhecidos em todo o mundo. Considerado por muitos como a primeira obra cinematográfica que claramente assume a influência do neo-realismo italiano, «Os verdes anos» (1963) foi realizado por Paulo Rocha e produzido por António Cunha Telles.
Carlos Paredes justificou assim a sua associação ao cineasta português: «Muitos jovens vinham de outras terras para tentarem a sorte em Lisboa. Isso tinha para mim um grande interesse humano e serviu de inspiração a muitas das minhas músicas. Eram jovens completamente marginalizados, empregadas domésticas, de lojas. Eram precisamente essas pessoas com que eu simpatizava profundamente, pela sua simplicidade». Era pois um Portugal em mudança que se perspectivava com o início da deslocação de populações rurais para as cidades do litoral de Portugal: na década de sessenta do século XX, sobretudo para Lisboa.
A palavra por dentro da guitarra a guitarra por dentro da palavra. Ou talvez esta mão que se desgarra (com garra com garra) esta mão que nos busca e nos agarra e nos rasga e nos lavra com seu fio de mágoa e cimitarra.
Asa e navalha. E campo de Batalha. E nau charrua e praça e rua. (E também lua e também lua). Pode ser fogo pode ser vento (ou só lamento ou só lamento).
Esta mão de meseta voltada para o mar esta garra por dentro da tristeza. Ei-la a voar ei-la a subir ei-la a voltar de Alcácer Quibir.
Ó mão cigarra mão cigana guitarra guitarra lusitana.
«Em 1962, com o EP "Fados de Coimbra", Adriano Correia de Oliveira rompera com o tradicional acompanhamento de duas guitarras e duas violas, substituindo-o por guitarra e viola ou simplesmente por viola como é o caso de "Minha Mãe" (letra e música de José Afonso, sobre quadra popular) mas é com o EP "Trova do Vento Que Passa" que essa revolução estética verdadeiramente se afirma. Exclusivamente preenchido com poemas de Manuel Alegre ("Trova do Vento Que Passa", "Pensamento", "Capa Negra, Rosa Negra" e "Trova do Amor Lusíada"), o disco torna-se um êxito estrondoso, e faz de Adriano Correia de Oliveira, nas palavras do próprio Manuel Alegre, «um artista em permanente movimento, agitando as águas mais fundas do subterrâneo rio da História, lutando, solidário, ao lado dos que abriam os caboucos da Revolução dos Cravos».
Sobre a importância deste disco para a renovação da música portuguesa, é oportuno citar as palavras de Mário Correia: «Pela análise dos temas atrás referidos de imediato se constata que estava dada a ruptura (numa perspectiva de continuidade) com o fado de Coimbra e se estava decididamente numa nova fase da evolução da música popular portuguesa dos nossos dias: o movimento da "balada" ou "trova", para alguns; a fase do "canto de protesto" ou "canto de intervenção" para outros.»
O disco de estreia de Sérgio Godinho, gravado em Paris, apresenta como primeira canção «Que força é essa», um libelo contra a exploração dos trabalhadores durante o Estado Novo. Sintomaticamente, o disco encerra com «Maré Alta», canção na qual Sérgio Godinho exalta a resistência contra a opressão:
APRENDE A NADAR COMPANHEIRO
QUE A MARÉ SE VAI LEVANTAR
QUE A LIBERDADE ESTÁ A PASSAR POR AQUI MARÉ ALTA
Que força é essa
(1971)
Letra e música:
Sérgio Godinho
Vi-te a trabalhar o dia inteiro construir as cidades para os outros carregar pedras, desperdiçar muita força para pouco dinheiro Vi-te a trabalhar o dia inteiro Muita força para pouco dinheiro
Que força é essa que força é essa que trazes nos braços que só te serve para obedecer que só te manda obedecer Que força é essa, amigo que força é essa, amigo que te põe de bem com outros e de mal contigo Que força é essa, amigo Que força é essa, amigo Que força é essa, amigo
Não me digas que não me compreendes quando os dias se tornam azedos não me digas que nunca sentiste uma força a crescer-te nos dedos e uma raiva a nascer-te nos dentes Não me digas que não me compreendes
(Que força...)
(Vi-te a trabalhar...)
Que força é essa que força é essa que trazes nos braços que só te serve para obedecer que só te manda obedecer Que força é essa, amigo que força é essa, amigo que te põe de bem com outros e de mal contigo Que força é essa, amigo Que força é essa, amigo Que força é essa, amigo Que força é essa, amigo
José Afonso evocou no disco «Eu vou ser como a toupeira» (1972) o assassinato do pintor José Dias Coelho pela PIDE, a polícia política do Estado Novo e o seu principal instrumento de repressão.
«A morte saiu à rua», o poema e a forma como é cantada por José Afonso, constitui uma visão pungente do desespero de um país sufocado por décadas de ditadura bafienta e opressora.
Segundo Viriato Teles, em «Eu vou ser como a toupeira», «Zeca continua a cantar a cólera e o desespero colectivos, através de momentos musicais inesquecíveis como A morte saiu à rua (dedicado a José Dias Coelho, assassinado pela Pide em 1961) e Por trás daquela janela (escrito para Alfredo Matos, antifascista do Barreiro que se encontrava preso), ao mesmo tempo que ironiza com a cadavérica memória salazarista (O avô cavernoso), faz novos apelos à luta (Fui à beira do mar, Eu vou ser como a toupeira)».
A morte saiu à rua num dia assim Naquele lugar sem nome pra qualquer fim Uma gota rubra sobre a calçada cai E um rio de sangue dum peito aberto sai
O vento que dá nas canas do canavial E a foice duma ceifeira de Portugal E o som da bigorna como um clarim do céu Vão dizendo em toda a parte o pintor morreu
Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual Só olho por olho e dente por dente vale À lei assassina, à morte que te matou Teu corpo pertence à terra que te abraçou
Aqui te afirmamos dente por dente assim Que um dia rirá melhor quem rirá por fim Na curva da estrada, há covas feitas no chão E em todas florirão rosas duma nação
Entre a morte de Richard Wagner e o fim da Segunda Guerra Mundial, a música ocidental reinventa-se. Ao apogeu do sinfonismo mahleriano sucedem-se as ruturas do impressionismo (Debussy, Fauré, Franck) e de Stravinsky, e sobretudo do atonalismo, representado pela Segunda Escola de Viena (Schoenberg, Berg, Webern). Mas, tal como Dvorák tinha anunciado nos últimos anos do século XIX, emergem novas expressões musicais que ganham corpo sobretudo nos Estados Unidos, recorrendo às tradições afro-americanas: é a era dos blues e do jazz e de uma primeira estética de fusão, que dará origem a Copland e Gershwin. A receção desses novos sons dá-se na Europa do primeiro pós-guerra (depois de 1918), com compositores como Ravel e Kurt Weill, mas o movimento acentua-se depois da ascensão ao poder do nacional-socialismo em 1933, que leva ao êxodo de compositores e intérpretes, na sua maioria para a América. Em pouco mais de sessenta anos, a tradição musical europeia roda sobre si mesma, criando novas formas e novos formatos, gerando ruturas e polémicas, e recriando universos sonoros abertos às influências exteriores.
No próximo dia 1 de Abril de 2011 terá início em Lisboa mais uma edição da Festa do Jazz do Teatro São Luiz.
A 9ª Festa do Jazz do São Luiz será um evento que ocupará ao longo de 3 dias, 4 salas do Teatro com Jazz feito no nosso país por alunos de escolas de música e por grupos profissionais que em alguns casos incluem convidados estrangeiros. Este ano, a Festa do Jazz, introduz na sua programação e concepção a ideia de “Internacionalização” tendo em vista a divulgação a nível internacional do jazz feito por portugueses, em Portugal ou noutros países. Destaque-se o concerto de dia 1, às 24h00, com um sexteto Luso/Alemão patrocinado pelo governo do Estado da Renânia do Norte – Vestfália (NRW) e pela Festa do Jazz.
Para além dos diversos Concertos, Master Classes e Jam Sessions, outra vertente da Festa do Jazz é disponibilizar aos participantes e público em geral, a possibilidade de adquirirem CDs de jazz onde músicos nacionais e estrangeiros estão representados. Com essa finalidade existirá também no “foyer” do teatro e durante os três dias, uma Feira do Disco.
A Escola Secundária Cacilhas – Tejo (ESCT), realizou no dia 10 de Março de 2011 a 10º edição do “Mini-Fórum Estudante” com a participação de 40 instituições e a presença da Drª Alexandra Soares, da Equipa de Apoio às Escolas, Drª Marianela Rebelo, da Câmara Municipal de Almada, a Vogal de Educação, Drª Elsa Dias e o Sr. Secretário Rui Perdigão, da Junta de Freguesia de Cacilhas.
A comunidade escolar teve a possibilidade de contactar com várias instituições de Ensino Superior, Público e Privado, Escolas Profissionais, Escolas ligadas aos vários ramos das Forças Armadas e Centros Profissionais. Numa orientação para a cultura e cidadania também estiveram presentes a Associação "O Farol", a F4-Imaginarte, a AMI, SMAS e os Bombeiros Voluntários de Cacilhas e de Almada. Estiveram também representadas as várias ofertas da Escola, do CNO e Cursos Nocturnos, e foram divulgados trabalhos dos alunos do 12º ano da disciplina de Área de Projecto.
Pedro Viana Silvestre tem 15 anos e iniciou os seus estudos musicais na Escola de Música da SFUAP, fazendo ainda parte do Ensemble de violinos 4 Cordas daquela colectividade.
Frequenta o curso de Piano no Conservatório Nacional de Música de Lisboa e o curso de violino no Conservatório Metropolitano de Música de Lisboa.
Ao piano, apresentou um reportório variado que abrangeu diversos estilos musicais: o barroco, o clássico, o romântico e o neo-clássico.
Iniciou a sua apresentação com as «Invenções a 3 vozes» de Bach - n.º3 em Ré Maior e a nº15 em Si menor; interpretou o «Primeiro Prelúdio, op. 1 de Armando José Fernandes e o «Nocturno, op. 32 n.º 1» de Chopin.
Encerrou a sua apresentação com o primeiro e terceiro andamentos da «Sonata em Sol Maior, op. 14 nº2» de Beethoven.
Claude Débussy foi um dos mais importantes compositores franceses e uma figura central na música europeia dos finais do século XIX e inícios do século XX. Com Maurice Ravel, foi uma das figuras mais proeminentes que trabalharam no campo da música impressionista, embora ele próprio não gostasse do termo quando aplicado às suas composições. Influenciado pelo simbolismo e por compositores como Mussgorsky, o trabalho de Debussy reflectiu frequentemente a sua experiência de vida e definiu a transição da música romântica para a música modernista.
La Mer: sketches sinfónicos (1905)
Lucerne Festival Orchestra/Claudio Abbado (maestro)
Prélude à l'après midi d'un faune (1892-1894) Bailado criado por Vaslav Nijinsky (1912) Versão com Rudolf Nureyev
Hoje, o meu primeiro pensamento voltou a ser para ti, Valentim. Tudo em redor me parece um princípio de mundo… Não há mais ninguém, toda a gente partiu, nem sei ao certo para onde. E este momento será uma prenda para relembrar o resto da vida. E a vida não passa de umas horas que os «deuses» nos dão, a nós simples mortais que somos. Acho que esta sensação de «vazio» é um claro reflexo do que irei viver hoje, dia 14 de Fevereiro, o teu dia.
Há alguns meses, numa carta dirigida ao teu amigo celestial, São Martinho, escrevi que, na Escola Secundária de Cacilhas–Tejo, tínhamos a pretensão de representar uma peça de teatro em tua homenagem. Conseguimos. Toda a turma L, do Curso de Educação e Formação de Adultos (EFA) B3 e a respectiva equipa pedagógica (Domitila Cardoso; Laura Mascarenhas; Mário Azevedo; Mónia Martins) estiveram envolvidas. Assistiram à peça cerca de cem pessoas, entre as quais familiares, professores, alunos de Área de Projecto do 12º ano, assim como, formandos e ex-formandos das turmas EFA (P; Q; R; S; V). A subdirectora da escola, Dra. Lurdes Gomes, iniciou a sessão, congratulando-se pela iniciativa. Seguidamente, coadjuvada pela adjunta da Direcção, Dra. Maria do Céu Santos, procedeu à entrega de pastas, assim como de um pequeno texto, da autoria do Professor José Cunha, aos formandos dos cursos que concluíram o nível secundário no ano de 2010.
Foram momentos mágicos e inesquecíveis. Não imaginas… Tivemos em cena o São Valentim (José Pais), centuriões (Rosa Rosa e Deolinda Neves), soldados imperiais (Noemy Andrade e Idalina Spencer), o Imperador Cláudio II (Rufina Sacramento), aquele que decretou a tua prisão, o teu amigo São Mário (Mª Teresa Gomes) e um dos casais de namorados (Carlos Antunes e Madalena Silva) que tu, em nome do amor, casaste em segredo, arriscando a vida. Na nossa peça participaram, também, uma apresentadora (Mª de Jesus), uma narradora (Gisela Vaz), uma técnica multimédia (Carolita Lobito), um formando (António Miguel) responsável pelos adereços e uma magnífica assistente (Joana Madeira, ex-formanda EFA S). Foi declamado pela formanda Emília Dias um poema em teu tributo. Na parte final, a assistência acompanhou os formandos (conduzidos pela adulta Fátima Fernandes), entoando a canção «Cinderela», de Carlos Paião. Esta música foi seguida à viola pelo formando João Henriques (EFA O). Não posso esquecer, também, o Cupido que contracenou em duas fases distintas: uma no século III, pela formanda Ana Paula Santos, e outra na actualidade, pela formanda Fernanda Cebola. Contou-nos muitos dos seus segredos. Ficámos a conhecer alguns aspectos do seu percurso de vida, alguns dos seus feitos. Ficámos a saber o porquê de se ter mantido criança, assistimos à revelação do seu amor «secreto» que, por sinal, estava presente e, por fim, teve ainda tempo para disparar algumas das suas setas e com elas fazer alguns «estragos». Um casal de «trombudos» da plateia que o diga…
Sabes Valentim, a «tua» Júlia (Fátima Frade) esteve em palco. Não ficava bem se não te contasse. Omitir esta parte seria como não contar-te toda a verdade, e a última coisa que quero é mentir. Foi visitar-te à prisão e deparou-se com a tua ausência. Julgava-se morta. Chorou muito e sempre e mais. Levantou os olhos e deixou cair, por entre os dedos, a esperança que não tinha, como se fosse areia quente, ansiosa por voar. As cores misturam-se todas, deslizaram entre as paredes e o chão do auditório, gritaram pelo teu sangue, pelo negro do pensamento e da dor, das cicatrizes recentes. Nessa altura, apeteceu-me sair dos bastidores, entrar em palco, para lhe mostrar, também, o azul e o verde. Sorriu de uma forma triste para a amiga (Adélia Lopes). Como eu pensei que já não sabia sorrir, e falou de janelas que não abriam, de portas que não fechavam e de vidros espelhados partidos. Parou, por fim, no limite da realidade, e sem alento desapareceu levando consigo o bilhete que tu lhe escreveste. Reconheço que estou a «hiperbolizar» um pouco. Ou melhor, acredita que nos ensaios as coisas assumiram esta dimensão. Mas com o público presente é mais difícil expressarmos os sentimentos. Acho que faz parte da natureza dos mortais ter dificuldade em assumir os sentimentos…
Oh Valentim, por vezes, é mais fácil acreditar que os muros acabam por ruir, um dia, e com eles tudo aquilo de que nos escondemos. Bem sabes do que falo, Valentim. Como escreveu Sophia de Mello Breyner: «O amor é oferecido raramente e aquele que o nega algumas vezes depois não o encontra mais». Mas a santidade Valentim, essa, está apenas ao alcance de poucos, exige um trabalho severo, sem tréguas, uma disciplina rigorosa e constante. É uma espécie de um «imperativo» ético e moral que cumpriste de uma forma exemplar… A propósito, ontem, depois da peça, saí para conversar com uma amiga. Falei-lhe de ti. Ou melhor, da tua «pessoa virtual» e da tua santidade. Ficou surpresa, pois em tantos anos, nunca me tinha dado para o mundo da virtualidade e muito menos para a santidade. Enfim, diagnosticou que estou a sofrer de uma «viagem» ao passado, que quero voltar a reviver sentimentos no «palco» e na «vida». Na verdade, não sei o que diga, Valentim. Por agora, sei apenas que tenho a secreta esperança de, durante este ano lectivo, conseguirmos encenar, com estes fantásticos formandos, mais uma peça, desta vez sobre o Japão. Nesta altura, o meu pensamento é invadido por imagens, por sons, por cores, por cheiros, por sabores do Oriente. E tudo isto sem nunca lá ter ido. Como alguém, conhecedor do território, escreveu: «Muitas horas de viagem nos separam. Muitos séculos de História nos unem.»
Os meus pensamentos andam à deriva, as palavras ainda mais, mas tudo isso é vago e não interessa, já deixei de pensar e de me interessar por descobrir algo de racional…Cansei-me. É claro que continuo a lutar por vir à tona, por ser superficial. Mas não adianta muito. Quando a madrugada acontece, todas as fronteiras se anulam, todas as distâncias desaparecem. É como um manto negro que concilia os contrários. Eu sei que é pura ilusão, Valentim… Estes momentos são meus e ninguém mos pode tirar. O resto é encenação. Bem sei que no teatro da vida deve haver apenas uma personagem principal… Volto a olhar para umas fotos e procuro compreender o que vejo. Mas olho, olho e nada. Enfim, não consigo defini-la. Agora, sei apenas que é uma «guerreira» de uma «pátria com chão», uma «mãe – coragem» codificada. Mesmo sem a conhecer de verdade, ou será mesmo por isso, considero-a indescritível…
Estou exausto…Vou até à varanda olhar a lua. Sei que ela teima em continuar branca. Todo este cenário, até o frio agudo que me gela a face, configura um prenúncio de um fim, de uma morte anunciada. Sabes, hoje, sei que não foi o negro à nossa volta, nem o vermelho que nos magoou os olhos. Foi o branco, o vazio do que ficou por dizer. E eu acreditei que sempre é mesmo eterno, que nunca fugimos de quem gostamos. Não havia segundas intenções, nem sentimentos por definir, e dói ainda mais por não a conhecer. É o abismo que se estende até mim, que engole o que grito e a protege do meu querer. É claro que as palavras não mudam a realidade, apenas a conseguem tornar menos dolorosa. Vou deixar as janelas abertas para que os pensamentos e as memórias fujam... Uma das que certamente não irá fugir é a da surpresa que a turma me fez, desta vez, oferecendo-me uma figura do Cupido assim como nunca poderei esquecer as palmas e os risos do teu público …
Bem, por agora, chega Valentim! Hoje, em tua homenagem ou talvez não, a música escolhida para ouvir antes de dormir será «Where the wild roses grow», cantada por uns tais Nick Cave e Kylie Minogue.
Pode ser que amanhã, ao acordar, consiga recordar o sonho e, assim, conhecer o rio onde nascem essas rosas… Espero que, um dia, me deixes lá chegar. Como escreveu Miguel Torga «O homem é, por desgraça, uma solidão: nascemos sós, vivemos sós e morremos sós.»
A solidão pode ter um eco triste e vazio. Como diz a letra da música «Toda a beleza deve morrer».
Auto Retrato (1989), óleo sobre tela Museu d'Orsay - Paris
«Com Vincent Van Gogh, deu-se o corte definitivo com a arte impressionista, pois o artista não se limitava já a representar a realidade aparente, esforçando-se antes por exprimir a experiência emocional e espiritual que sentia perante o mundo. Assim incutiu uma aceleração extraordinária à evolução da representação e da arte, entendida como um instrumento exclusivo e privilegiado da expressão.»
MARRUCCHI, Giulia (2006). A grande História da Arte: Impressionismo, vol. 13. Lisboa: Publico, p. 184.
Bibliografia recomendada e disponível para consulta na BECRE
CUMMING, Robert
Comentar a arte: a análise e o estudo dos quadros mais famosos do mundo / Robert Cumming ; Ribeiro da Fonseca, trad.. ‐ s.ed. ‐ [Porto] : Civilização, cop. 1996. ‐ 1 vol, 103 [+1] p.
Ver quadros. Que constitui uma obra‐prima?
Glossário.
972‐26‐1040‐6
Arte / Pintura / Artistas
CDU: 75
Cota: 75 ART CUM ESCT 00124
133
MARRUCCHI, Giulia
Impressionismo / Giulia Marrucchi., Riccardo Belcari. ‐ Porto : Público, 2006. ‐ 1 vol, 384 p. ‐ (A Grande História da Arte ; 13)
84‐9819‐427‐5
Arte / Impressionismo / Arte ‐ história / História geral
CDU: 7.0(091)
Cota: 7.0(091) ART MAR ESCT 00592
598
UFFELLI, Nicole
A Arte no Século XIX : 1848-1905 / Nicole Tuffelli ; trad. Fernando Brazão Gonçalves. - Lisboa : Ed. 70, 2000. - 143 p. : il. ; 15 x 25 cm. - (Reconhecer. Compreender)
Tít. orig.: L'Art au XIXe Siècle (1848-1905)
Ed. orig.: 1987
158317/00
972-44-1069-2
Arte / Impressionismo / Simbolismo / Arte nova / Fotografia / Arte - história da arte / Arte - 1848/1905
CDU: 7.036
Cota: 7.036 ART TUF ESCT 01104
TREBLE, Rosemary
Van Gogh and his art / Rosemary Treble. - 3rd imp. - London : Hamlyn, 1981. - 128 p. : il. ; 34x25,5 cm
Vida e obra de Vincent Van Gogh.
Oferta de Mário Augusto Pires
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Arte / Pintura / Impressionismo / Expressionismo / Van Gogh, Vincent
CDU: 75Van Gogh
Cota: 75Van Gogh ART HAM ESCT 00823
WALTHER, Ingo F.
Vincent Van Gogh: 1853‐1890 / Ingo F. Walther. ‐ sd. ‐ [S.l.] : Taschen, 1990. ‐ 96 p : il ; 30x23 cm. ‐ (Taschen [pintores] ; 4)
3‐8228‐0480‐0
VAN GOGH / ARTE
Cota: 7.036 ARTE GOGH WALTH 1 ESCT 01293
1304
SPENCE, David
Vincent Van Gogh : Arte e emoção / David Spence ; trad. Maria Filomena Pestana. - Lisboa : Texto, 1999. - 31, [2] p. : il.. - (Grandes artistas ; 1)
129132/98
972-47-1256-7
Arte / Pintura / Impressionismo / Expressionismo / Van Gogh, Vincent
Mas há algo no legado de Van Gogh que é mais importante do que a sua paternidade de "ismos" na arte moderna. A crença apaixonada de Vincent era que as pessoas não veriam apenas os seus quadros mas sentiram a urgência da vida neles.
Starry, starry night.
Paint your palette blue and grey,
Look out on a summer's day,
With eyes that know the darkness in my soul.
Shadows on the hills,
Sketch the trees and the daffodils,
Catch the breeze and the winter chills,
In colors on the snowy linen land.
Now I understand what you tried to say to me,
How you suffered for your sanity,
How you tried to set them free.
They would not listen, they did not know how.
Perhaps they'll listen now.
Starry, starry night.
Flaming flowers that brightly blaze,
Swirling clouds in violet haze,
Reflect in Vincent's eyes of china blue.
Colors changing hue, morning field of amber grain,
Weathered faces lined in pain,
Are soothed beneath the artist's loving hand.
Now I understand what you tried to say to me,
How you suffered for your sanity,
How you tried to set them free.
They would not listen, they did not know how.
Perhaps they'll listen now.
For they could not love you,
But still your love was true.
And when no hope was left in sight
On that starry, starry night,
You took your life, as lovers often do.
But I could have told you, Vincent,
This world was never meant for one
As beautiful as you.
Starry, starry night.
Portraits hung in empty halls,
Frameless head on nameless walls,
With eyes that watch the world and can't forget.
Like the strangers that you've met,
The ragged men in the ragged clothes,
The silver thorn of bloody rose,
Lie crushed and broken on the virgin snow.
Now I think I know what you tried to say to me,
How you suffered for your sanity,
How you tried to set them free.
They would not listen, they're not listening still.
Perhaps they never will... ____________________________________________________________________
No passado dia 28 de Janeiro, os alunos do 1º ano do Curso Profissional de Técnico de Design Gráfico estiveram na BECRE e participaram na actividade «Piano: movimentos, prelúdios e nocturnos». Após terem visionado três peças para piano de Chopin e interpretadas por Lang Lang, Yundi Li e Sa Chen, foram desafiados a pintar, sob a inspiração do célebre compositor clássico. Divulgam-se agora as cinco melhores produções, escolhidas pelas suas professoras Lúcia Inácio e Paula Penha, que acompanharam o trabalho; e pelo professor-bibliotecário.
«Nocturno»
Carla Henriques
aguarela, guache e lápis de cera
«Sem título» Caroline Oliveira
aguarela, guache
«Sem título»
Leandro Carrasco
aguarela, guache
«Toxic Boom» João Baptista
tinta acrílica
«Cor» Susana Silva
aguarela
A todos os alunos que participaram na actividade
e, em especial, aos autores dos trabalhos seleccionados,
endereçamos os nossos parabéns!
O lançamento oficial da candidatura do Fado à Lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade, da UNESCO, vai decorrer esta sexta-feira no Teatro São Luiz. A candidatura vai ser marcada por uma cerimónia oficial que contará com a presença do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, e da vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto.
A candidatura oficial do Fado à lista Representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO vai ser apresentada esta sexta-feira. Para o presidente da Comissão Científica, Rui Vieira Nery, a candidatura "ultrapassou todas as barreiras partidárias em nome de uma causa colectiva de salvaguarda e promoção da Cultura portuguesa".
A cerimónia de oficialização da candidatura está agendada para as 22h00 no Teatro São Luiz e contará com a presença do presidente da Câmara de Lisboa e da vereadora com o pelouro da Cultura.
«Os trinta gloriosos», período de crescimento económico que se seguiu ao fim da 2ª guerra mundial, fizeram "esquecer" a tragédia que foi o "crash" da Bolsa de Nova Iorque em 1929 e a «Grande Depressão» que se seguiu e que mergulhou o mundo na maior crise económica, social e política até então e que desembocou na 2ª guerra mundial. Esse esquecimento, bem como o das teorias do economista inglês principal responsável pelo programa económico e social conhecido por «New Deal» - John Maynard Keynes; terminou com o grave abalo que, a partir de 2008 e com a falência do banco Lehmann Brothers e a «bolha imobiliária» americana.
Em 1929-32, o capitalismo liberal ruía, após erros acumulados sobretudo nas áreas das finanças - bancos, bolsas e taxas de juro - dos preços e do imobiliário. Durante toda a década que se seguiu, o desemprego galopante rompeu a coesão social nos EUA, na Europa e nos países produtores de matéria-primas. A fome e a miséria abriram caminho para os radicalismos políticos e para a construção do modelo social do Estado-Providência, após o final da Segunda Guerra Mundial. O capitalismo e a social-democracia encontraram a solução que vigorou até à «Revolução Reagan" (triunfo do neo-liberalismo e do "Estado mínimo").
Até 2008, tal como acontecera no início do século XX, o crescimento económico foi assinalável mas os excessos da desregulamentação originaram o desiquilíbrio, ponto esse que tem sido talvez a maior "dor de cabeça" dos economistas. Hoje, é na ideia de desenvolvimento sustentado - nas suas componentes económica, financeira, produtiva, ambiental e social - que se deve procurar o "novo equilíbrio" que apague as consequências terríveis do neoliberalismo reaganeano/tatcheriano.
Em 2011, tal como há oitenta e dois anos atrás, é bom não esquecer que, em cada unidade que se acumula na lista dos mais de 600 mil inscritos nos Centros de Emprego em Portugal, existe um drama humano e social.
«O Século do Povo: a sopa dos pobres»
(introdução)
Uma das canções mais populares da época e bem ilustrativas da tragédia da década de 30 do século XX - «Brother can you spare a dime (1931) de Yip Harburg - foi recriada em 2000 pelo popular cantor inglês George Michael: «Once I Built A Railroad, Made It Run / Made it race against time / Once i built a rairoad, now it's done / Brother can you spare a dime?»
George Michael (1999)
Brother Can You Spare A Dime
Live @ NetAid
Once I built a railroad, made it run
Made it race against time
Once i built a rairoad, now it's done
Brother can you spare a dime?
Once i built a tower to the sun
Brick and rivet and lime
Once i built a tower, now it's done
Brother can you spare a dime?
Once in khaki suits
Gee, we looked swell
Full of that yankee doodle de dum
Half a million boots went slogging through hell
I was the kid with the drum
Say don't you remember, they called me Al
It was Al all the time
Say don't you remember, i'm your pal!
Buddy can you spare a dime?
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