O serviço público de educação é um pilar essencial e imprescindível de uma democracia que, por definição, garanta a igualdade de oportunidades e o desenvolvimento integral de uma sociedade moderna.

A corrente eléctrica




Neste vídeo aborda-se a noção de corrente eléctrica, de condutor e diferença de potencial, e os tipos de corrente: alterna e contínua. A corrente eléctrica que circula através de resistências eléctricas (p.e., o caso das lâmpadas de incandescência) pode transformar-se em energia calorífica.

Rosa Espada

«VOZ»: video-poesia em língua portuguesa no século XXI

Vols. 1 e 2
disponíveis para consulta na BECRE a partir de 30 SETEMBRO 2010
- um agradecimento especial à Direcção que possibilitou a aquisição desta obra de máximo interesse pedagógico.

A parceria Produções Fictícias/RTP/Até ao Fim do Mundo/EDP possibilitou a criação da ideia em 2005 e a sua publicação em DVD em 2010.
Actores, músicos e outros portugueses e brasileiros ligados às questões da cultura abordam poemas de Fernando Pessoa, Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos, Camões, Manuel Alegre, Vinicius de Moraes, Sophia de Melo Breyner, Bocage ... de uma forma muito interessante - o vídeo-poema.
Com uma muito cuidada selecção dos contextos e banda sonora que acompanha a récita dos poemas, «Voz» é um excelente recurso educativo a ter em atenção por professores de Português, Filosofia, História e outros.

Hiperligações:
Produções Fictícias
José Fernando Vasco

A República por uma cauda de cometa


Um cometa é mesmo só um cometa. Mais um astro a ocupar o escuro e frio espaço do universo. Para Aristóteles (384 a.C-322 a.C) um cometa era uma "estrela com cabeleira", mas hoje a ciência descreve os cometas como sendo formados por uma mistura de gelo (água, gases congelados) e poeira, que por alguma razão não coalesceram com os planetas quando o sistema solar foi formado. Este facto torna-os cientificamente interessantes como amostras da história passada do sistema solar.
O livro de Joaquim Fernandes, professor da Universidade Fernando Pessoa (Porto), é interessante. Deu à estampa em Maio do presente ano sob a chancela da Temas e Debates/Círculo de Leitores e intitula-se "Halley, o cometa da República".
Ao aproximar-se da órbita terrestre em 1910 o cometa Halley fez temer o pior. Baseando-se na imprensa da época, o autor dá conta da ansiedade e histerismo colectivos vividos por causa da manifestação deste fenómeno natural na nossa atmosfera planetária.
No Portugal rural do princípio do século XX, a ignorância e o analfabetismo quase generalizados muito fizeram acontecer para poder relatar junto de todos os portugueses que agora se preparam para assinalar o centenário da instauração da República.
As notícias saídas na imprensa reflectiam o ambiente social e cultural português, contextualizadas pela época (veja-se, por exemplo, aquelas vindas de França). Entre outras dimensões da vida do país, este famoso cometa foi utilizado para associar os políticos aos escândalos da altura e na publicidade ajudou a vender os mais variados artigos e serviços, revelando-se um autêntico fenómeno de "marketing" comercial da belle époque nacional. Também a especulação em torno da possibilidade do envenenamento da atmosfera terrestre pelos gases do cometa (como o cianogénio) fez correr rios de tinta, com a divulgação das declarações antagónicas de astrónomos e químicos estrangeiros reputados. A fina nata dos cientistas portugueses participou igualmente no debate. O empenho calmante e pedagógico da Academia das Ciências de Portugal fazia gala dos seus rigorosos critérios científicos, na afirmação de que o cometa era apenas um astro com interesse para os homens da ciência e nada mais. Afirmava esta, categoricamente: "A Ciência não mente. Enganar-se, sim, pode. Mentir, nunca!". Lembraram-se as obras do escritor H. G. Wells (A Máquina do Tempo, O Homem Invisível, Os dias do Cometa, A Guerra dos Mundos) com o pessimismo e a ideia de apocalipse a virem à tona. No fundo, no fundo, o cometa Halley era o responsável pelo republicanismo...
A BECRE não possui esta obra, mas vem a propósito divulgá-la aqui por quatro razões: 1. Escreve-se sobre um livro e aconselha-se a sua leitura; 2. Foca-se a influência dos fenómenos naturais na organização e no funcionamento da vida quotidiana; 3. Dá-se a conhecer o papel da ciência no seio da sociedade civil: nem sempre bom, nem sempre mau, mas sempre importante na descrição do mundo físico; 4. Pode ser que este livro venha a fazer parte do fundo documental da biblioteca da nossa Escola. Os alunos de ciências com ganas de intervenção social e ávidos de situações pitorescas associadas ao crescimento e elaboração do edifício científico talvez gostassem de o ler. Quanto aos de humanidades, esses, teriam mais um documento para os fazer ver que a construção da ciência é tão normal quanto escrever um romance e, por vezes, também alvo fácil de crítica ou descrédito social violentíssimos.
Uma nota final, o cometa Halley reaparecerá em 2061.

Anúncios do jornal O Século em 1910

Hiperligações:

Vídeo de apresentação do livro "Halley, o cometa da República"

Edmond Halley

O cometa Halley e a 1ª República (vídeo)

Rosa Espada

Inventores da República - Gago Coutinho

O Almirante Gago Coutinho

Gago Coutinho (1869-1959) foi um notável aviador, corajoso e inteligente, pesquisador da aeronavegação. Ficou conhecido internacionalmente em 1922, ao realizar, com Sacadura Cabral, a primeira viagem aérea entre a Europa e a América do Sul. Com grande facilidade para a escrita, foi autor de vários trabalhos, principalmente acerca das navegações dos Portugueses: “A náutica dos descobrimentos”, “Influência que as primitivas viagens portuguesas à América do Norte tiveram sobre o descobrimento das Terras de Santa Cruz”, “Tentativa de interpretação simples da Teoria da Relatividade Restrita”, entre muitos outros trabalhos. Adquiriu notabilidade a nível mundial quando inventou o “Sextante de bolha artificial”, ultrapassando eficazmente problemas técnicos e materiais da altura, que restringiam o sextante à navegação marítima.
O sextante é um instrumento de reflexão que possui dois espelhos que efectuam uma dupla reflexão dos raio luminosos provenientes das estrelas. Como outros instrumentos de reflexão, faz coincidir os raios luminosos que provêm das estrelas com os raios luminosos que provêm do horizonte, permitindo medições de longitude.
Gago Coutinho conseguiu a solução para o problema da medição da altura de um astro, sem horizonte de mar disponível, usando um nível de bolha de ar, e com ele obtendo um horizonte artificial. Assim, o sextante podia ser usado a bordo das aeronaves. Dotou-o ainda de um sistema de iluminação eléctrico do nível de bolha, permitindo também observações nocturnas.
Juntamente com Sacadura Cabral (1881-1924) inventou um “Corrector de rumos”, que permitia calcular graficamente o ângulo entre o eixo longitudinal da aeronave e o rumo a seguir, considerando a intensidade e direcção do vento, compensando os desvios causados pelo mesmo. Na primeira viagem aérea “Lisboa-Madeira”, realizada em 1921, Gago Coutinho e Sacadura Cabral comprovaram a eficácia do sextante de bolha artificial, conseguindo um passo de gigante na aviação mundial – a navegação aérea astronómica com uma precisão nunca antes conseguida. Com Sacadura Cabral realizou também a primeira travessia aérea do Atlântico Sul (Lisboa-Rio de Janeiro).


O sextante de Gago Coutinho


Hiperligação: 
Ciência em Portugal - Gago Coutinho
Gago Coutinho - Geógrafo, Historiador, Matemático, Astrónomo, Marinheiro, Navegador…
Amarília Roleira
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