O serviço público de educação é um pilar essencial e imprescindível de uma democracia que, por definição, garanta a igualdade de oportunidades e o desenvolvimento integral de uma sociedade moderna.
Disponível para consulta na BECRE a partir de 29.04.2011
graças à amável doação de «Ginásio Ópera», na pessoa de António Rebordão.
As memórias de Madalena Sá e Costa são um testemunho do percurso da música erudita durante o século XX português.
Discípula de Augusto e Guilhermina Suggia, a violoncelista Madalena Sá e Costa apresenta-nos a sua paixão pela música clássica, no seu instrumento de eleição: o violoncelo.
Cobre-te canalha na mortalha, hoje o rei vai nu Os velhos tiranos de há mil anos morrem como tu Abre uma trincheira, companheira, deita-te no chão Sempre à tua frente viste gente de outra condição ... Ouvem-se já os rumores Ouvem-se já os clamores Ouvem-se já os tambores
Como canção de denúncia de um regime ditatorial e de esperança para o futuro, «Coro da Primavera» é uma mensagem surrealista de afirmação do ideal da liberdade e da democracia para Portugal. E quão importantes são os coros, a percussão e os sopros na sua expressão musical...
Venha a maré cheia duma ideia p'ra nos empurrar Só um pensamento no momento p'ra nos despertar ... Ergue-te, ó Sol de Verão, somos nós os teus cantores da matinal canção
Coro da Primavera
(1971)
Letra e música:
José Afonso
Cobre-te canalha
Na mortalha
Hoje o rei vai nu
Os velhos tiranos
De há mil anos
Morrem como tu
Abre uma trincheira
Companheira
Deita-te no chão
Sempre à tua frente
Viste gente
Doutra condição
Ergue-te ó Sol de Verão
Somos nós os teus cantores
Da matinal canção
Ouvem-se já os rumores
Ouvem-se já os clamores
Ouvem-se já os tambores
Livra-te do medo
Que bem cedo
Há-de o Sol queimar
E tu camarada
Põe-te em guarda
Que te vão matar
Venham lavradeiras
Mondadeiras
Deste campo em flor
Venham enlaçdas
De mãos dadas
Semear o amor
Ergue-te ó Sol de Verão
Somos nós os teus cantores
Da matinal canção
Ouvem-se já os rumores
Ouvem-se já os clamores
Ouvem-se já os tambores
Venha a maré cheia
Duma ideia
P'ra nos empurrar
Só um pensamento
No momento
P'ra nos despertar
Eia mais um braço
E outro braço
Nos conduz irmão
Sempre a nossa fome
Nos consome
Dá-me a tua mão
Ergue-te ó Sol de Verão
Somos nós os teus cantores
Da matinal canção
Ouvem-se já os rumores
Ouvem-se já os clamores
Ouvem-se já os tambores
Disponível para consulta na BECRE a partir de 28.04.2011
«Terna é a noite», unanimemente considerado o melhor romance de F. Scott Fitzgerald, igualmente autor de «The Great Gatsby» (disponível na BECRE em língua inglesa), é o primeiro volume da colecção «Não Nobel», lançada pelo jornal Público, um conjunto de livros de autores que, por variadíssimas razões - e nem sempre plenamente justificáveis - nunca ganharam a maior distinção mundial para a produção literária. Pertencendo a uma geração de escritores norte-americanos apelidada de «perdida», Scott Fitzgerald escreveu tão intensamente quanto viveu a sua vida e a sua relação tempestuosa com Zelda Fitzgerald, a sua esposa.
Um livro absolutamente a não perder.
Acordo no país a que pertenço
E aprendo, e repito
A palavra proibida
A palavra esquecida Liberdade...
Gravado entre Abril e Maio de 1974, o segundo e último álbum do Quarteto 1111 foi claramente influenciado pelo curso dos acontecimentos em Portugal, nesse momento fundador da nossa II República. Com base num poema de José Jorge Letria, a obra-ensaio de José Cid é, igualmente, uma incursão por um género musical - o rock progressivo - que, em Portugal, teria o seu opus em «10.000 anos depois entre Vénus e Marte».
«Onde Quando Como Porquê? Cantamos pessoas vivas» é uma jóia esquecida da música portuguesa, produzida na sequência da 1ª edição do Festival de Vilar de Mouros e do contacto de músicos portugueses com nomes importantes da época como Elton John ou Manfred Mann's Earth Band. É igualmente um olhar diferente sobre Abril de 74, diferente daquele da canção de intervenção protagonizado por José Afonso, José Mário Branco ou Sergio Godinho, entre outros. A «obra-ensaio» de José Cid é uma longa peça musical de 30 minutos, da qual sobretudo se recorda a sua abertura e o seu final - «Cantamos pessoas vivas».
Onde Quando Como Porquê?
Cantamos pessoas vivas
Letra: José Jorge Letria/José Cid
Música: José Cid
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
I - ...cantamos pessoas vivas...
É por aqui que se começa
Pelas palavras simples
Recusando a amargura
Nas margens do poema
Pelas pessoas vivas É por aqui que se começa
Pela fúria de começar
Com a voz em liberdade
Sem muralhas no olhar
Cantando pessoas vivas É por aqui que se começa
Pela fúria de começar
Usando palavras simples
Cantando pessoas vivas
Ensinando-as a pensar
II - Onde...
Quando percorro as margens deste rio
Jogando letra a letra, verso a verso
As idéias que hora a hora, dia a dia
Me repetem, me ensinam
O caminho do processo
Hora a hora, dia a dia, verso a verso... Quando escrevo nas paredes o teu nome
E sinto intensamente à flor da pele
A estranha sensação de quem encontra
Esse nome, o teu nome
Voando no papel
O nome do meu batel, liberdade... Quando passo pela ponte deste rio
A quem também chamei de Rio Dourado
E sinto intensamente a alegria
Me encontro, e renasce em mim
O canto da verdade
O espelho da verdade, que me invade... E parto a pensar no meu regresso
E volto a pensar na despedida
Acordo no país a que pertenço
E aprendo, e repito
A palavra proibida
A palavra esquecida, liberdade...
III - Quando...
Quando o branco da neve se confunde as ondas
Quando a nafta das ondas dissolve no mar
Quando os corpos flutuam perdidos no vácuo
E regressam sem nexo ao secreto lugar Quando idéias se fixam na minha memória
Quando o som dos meus passos ecoa no ar
E os sonhos se perdem no fundo do meu ser
Me conduzem as portas do secreto lugar Onde
Quando
Como
Porquê
Cantamos pessoas vivas! Quando um povo vivia na noite distante
Avançando pesado, lento e devagar
Sonhando encontrar o limite da vida
Neste calmo, tranquilo e secreto lugar Sono calmo, tranquilo, trancado e coberto
Me recordo com raiva de me contentar
No espelho perfecto dessas paredes
No meu calmo, secreto e futuro lugar Onde
Quando
Como
Porquê
Cantamos pessoas vivas!
IV - Porque...
Porque os ponteiros do tempo não pararam
Nas torres das igrejas, nem ruína
E avançam calados...e discretos...
Um pouco para baixo, um pouco para cima Porque os ventos mudaram para sempre
Apagando as pálidas imagens
Dos mitos, de caveiras, "belle-époque"
Que fugiram para longínquas paragens Porque o sorriso voltou de novo ao rosto
Daqueles que ficaram vigilantes
Perfumando cidades e aldeias
Que deixaram de ser como eram antes Também eu me sinto um homem novo
Do sangue que me corre pelas veias
Porque o stress levou todas as fontes
Que levaram a nevasca às aldeias
V - Como...
Como um raio de sol na porta entreaberta
Como quem tem um filho pela primeira vez
Como quem anda nu sobre a praia deserta
Como quem pisa a lama entre os dedos dos pés Como um poema de maio sobre o meu país
Como quem dorme ao relento em pleno mês de agosto
Como as linhas da vida na palma da mão
São as coisas mais simples que me dão mais gosto. Como quem passa sempre no mesmo lugar
Como o tempo escrevendo sulcos no meu rosto
Como a luz desenhando círculos de fogo
Entre as nuvens que sobram da linha do sol posto Como o vento agitado na rama dos pinhais
Como a sombra cobrindo parte do meu corpo
Como o som lembrado algum tempo depois
São as coisas simples que me dão mais gosto.
VI - ...cantamos pessoas vivas. (reprise)
E depois de começar
Embarcamos na canção
Sem pompas nem grandezas
Com o povo no coração
Pra isso serve a canção Navalha de corpo inteiro
Pra dar o golpe certeiro
Em quem lhes nega a razão Acabar também é simples
Mais simples do que começar
Desenhamos um país
Com o máximo vigor
Sem pessoas nem fronteiras
E fomos bem adentro Palavras certeiras... É por aqui que se termina
Pelas palavras simples
Pra isso serve a canção
Definindo a situação Cantando pessoas vivas...
Cantando pessoas vivas...