O serviço público de educação é um pilar essencial e imprescindível de uma democracia que, por definição, garanta a igualdade de oportunidades e o desenvolvimento integral de uma sociedade moderna.

Canções de Abril XIX - José Mario Branco. Eu vim de longe

Em 1982, sete anos depois do fim do Processo Revolucionário Em Curso (PREC), José Mário Branco editou «Ser solidário», um duplo e eclético álbum que navegava entre o fado e o jazz, entre a canção francesa e a moda popular. Uma das canções em destaque no disco, sobretudo pelo profundo significado da letra, é «Eu vim de longe», um pungente testemunho de esperança e desilusão pelo curso dos acontecimentos entre Abril de 1974 e Novembro de 1975. Independentemente dos posicionamentos políticos que possamos ter face ao curso da revolução portuguesa, José Mário Branco é uma das suas figuras maiores e permanece, ainda hoje, uma referência máxima da música portuguesa, quer como músico e compositor, quer como produtor.

«Eu vim de longe»
(1982)

Letra e música:
José Mário Branco

 

Quando o avião aqui chegou
Quando o mês de Maio começou
Eu olhei para ti
Então entendi
Foi um sonho mau que já passou
Foi um mau bocado que acabou

Tinha esta viola numa mão
Uma flor vermelha n´outra mão
Tinha um grande amor
Marcado pela dor
E quando a fronteira me abraçou
Foi esta bagagem que encontrou

Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei p´ra´qui chegar
Eu vou p´ra longe
P´ra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos p´ra nos dar

E então olhei à minha volta
Vi tanta esperança andar à solta
Que não hesitei
E os hinos cantei
Foram feitos do meu coração
Feitos de alegria e de paixão

Quando a nossa festa s´estragou
E o mês de Novembro se vingou
Eu olhei p´ra ti
E então entendi
Foi um sonho lindo que acabou
Houve aqui alguém que se enganou

Tinha esta viola numa mão
Coisas começadas noutra mão
Tinha um grande amor
Marcado pela dor
E quando a espingarda se virou
Foi p´ra esta força que apontou


Hiperligações:
José Fernando Vasco

Vitorino Magalhães Godinho (1918-2011)

Vitorino Magalhães Godinho, historiador e antigo Ministro da Educação (1974) e Director da Biblioteca Nacional (1983-1984), faleceu aos 93 anos na passada noite de terça-feira.
Figura de referência máxima da cultura europeia e pertencente a uma galeria de notáveis (na qual se inclui Fernand Braudel) que renovaram, no século XX, a historiografia; Vitorino Magalhães Godinho deixou-nos três obras notáveis: «A estrutura da Antiga Sociedade Portuguesa» (1971), «Os Descobrimentos e a Economia Mundial» (1963, tese de doutoramento arguida por Fernand Braudel) e «Complexo histórico-geográfico», artigo do «Dicionário de História de Portugal», dirigido por Joel Serrão.


 Obras de Vitorino Magalhães Godinho
disponíveis para consulta na BECRE

GODINHO, Vitorino Magalhães
Os descobrimentos e a economia mundial / Vitorino Magalhães Godinho.
- Reimpressão da 2ª ed correcta e ampliada. - Lisboa : Presença, 1991. - 290 p. : Figuras, fotografias, tabelas, mapas. - (Métodos ; 7)
Somente existe o Volume I
Dep. Legal 25766/89
ISBN 972-23-1458-0
História de Portugal / Descobrimentos portugueses -- moeda / Economia mundial - 1200/1499 / Moeda - história
CDU: 94(469)"12/14"
Cota: 94(469)"12/14" HIS POR GOD ESCT 04713

GODINHO, Vitorino Magalhães
Estrutura da antiga sociedade portuguesa / Vitorino Magalhães Godinho. - 4ª ed. - Lisboa : Arcádia, 1980. - 318, [2] p.. - (Temas portugueses / dir. Vitorino Magalhães Godinho ; 1)
Oferta do professor bibliotecário José Fernando Vasco
História de Portugal / Sociedade - estruturas - 1400/1899 / Sociedade - evolução
CDU: 94(469)"14/18"
Cota: 94(469)"14/18" HIS POR GOD ESCT 04509

GODINHO, Vitorino Magalhães
O papel de Portugal nos séculos XV-XVI : Que significa descobrir? : Os novos mundos e um mundo novo = Rôle du Portugal aux XVe-XVIe siècles : Qu'est-ce que découvrir veut dire? Les nouveaux mondes et un monde nouveau / Vitorino Magalhães Godinho ; trad. João Fagundes ; rev. trad. Vitorino Magalhães Godinho. - Lisboa : Grupo de Trabalho do Ministério da Educação para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses, 1994. - 94 p.
Edição bilingue. Existem 2 exemplares
Dep. Legal 84252/94
História de Portugal / Descobrimentos portugueses - 1400/1599
CDU: 94(469)"14/15"
Cota: 94(469)"14/15" HIS POR GOD ESCT 04714 / 94(469)"14/15" HIS POR GOD ESCT 04715

Hiperligações:

José Fernando Vasco
Conceição Toscano, Sónia Lapa
(tratamento documental)

Canções de Abril XVIII - Chico Buarque. Tanto mar

Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim

Chico Buarque homenageou a Revolução dos Cravos com «Tanto Mar» em 1974/1975 mas enquanto em Portugal a canção foi publicada na íntegra, o Brasil apenas conheceu a versão instrumental dado que a censura brasileira impediu a divulgação pública da letra, uma verdadeira saudação ao processo de democratização de Portugal e um desejo para o Brasil, então em ditadura militar. Aliás, a primeira vaga de emigração brasileira para Portugal iniciou-se após Abril de 74, por parte de muitos jovens estimulados pelas notícias do processo revolucionário em curso em Portugal.

Tanto mar
(1975)

Letra e música:
Chico Buarque




Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo pra mim

Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim


Artigos relacionados:

Hiperligações:
José Fernando Vasco 

«Ser Como Tu»: lançamento na ES Cacilhas-Tejo


O novo livro de poesia de Miguel Almeida, Professor de Filosofia da ES Cacilhas-Tejo,
será lançado no próximo dia 03 de Maio - Auditório, 20:00 horas.



José Fernando Vasco
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