O serviço público de educação é um pilar essencial e imprescindível de uma democracia que, por definição, garanta a igualdade de oportunidades e o desenvolvimento integral de uma sociedade moderna.
O Ciclo Arte e o Ciclo Docs encerraram neste ano lectivo de 2010-2011 com Leonardo da Vinci, o génio 2º milénio.
Estiveram envolvidas três turmas: duas do Curso Científico-Humanístico de Línguas e Humanidades - História A - e uma turma do 1º ano do Curso Profissional de Técnico de Design Gráfico - História da Cultura e das Artes; bem como as respectivas professoras.
Divulgam-se agora os dados relativos à avaliação da actividade.
Hoje, pelas 19:30 horas, a «Comunidade de Leitores» debaterá as experiências de leitura de «O que diz Molero» de Dinis Machado (1930-2008). O livro, com seis edições no ano das sua publicação (1977) foi por muitos considerado como o «25 de Abril da literatura portuguesa».
João Gaspar Simões adjectivou-o de «livro tagarela» e «prova de ficção, entre lírica e mítica, entre exercício de virtuosismo narrativo e invenção do mundo da adolescência» (in: contracapa da 11ª edição de 1979).
«O que diz Molero é um livro cheio de vida e cheio de força. É um hino aos portugueses dos bairros, aquelas personagens peculiares com quem todos nós já nos cruzámos. O livro é-nos dado da seguinte forma: há dois homens, Mister DeLuxe e Austin, que vão lendo um relatório escrito por um tal de Molero, sobre alguém que é apenas designado por “rapaz”. Este rapaz, embora possa ser considerado a personagem principal do livro, é muitas vezes apenas um pretexto para se falar das outras personagens, que são as pessoas que passaram pela vida do rapaz e que o influenciaram, uns mais, outros menos.
É um livro escrito com muito bom humor e que diverte imenso o leitor. Mas para além deste lado mais bem-disposto, há também espaço para os pequenos dramas e passagens que nos fazem sonhar, nomeadamente o fim da história, que, obviamente, não vou revelar. Mas é, sem dúvida, o lado humorístico que predomina, muito graças às fantásticas personagens, cheias de particularidades ou, como dizia um tal de Zuca, cheias de apartes.
A obra tem um ritmo frenético e é muito difícil parar de ler. O que, de resto, não é problema, uma vez que se lê muito bem e sempre com um sorriso nos lábios (se não chegar mesmo à gargalhada).
De resto, pouco mais há a acrescentar. É um livro despretensioso e só por isso adquire uma força fantástica. Só os nomes das personagens dão vontade de ler o livro. Há o Peida Gadocha, o Bigodes Piaçaba, o Descoiso, o Vampiro Humano, o Peito Rente, o Bexigas Doidas… e muitos outros.
Luiz Pacheco resumiu muito bem o que se pode encontrar neste livro: “Um livro-bomba, uma obra de arromba.»
António Feio e José Pedro Gomes na adaptação teatral de 1999
Algumas frases antológicas de «O Que Diz Molero»:
* «Teve uma infância estranha [...] Em última análise, todas as infâncias o são.»
* « [...] inventámos a roda e o avião, construímos barragens e arranha-céus [...] mas a verdade é que não sabemos nada de nada [...]»
* « [...] a autoridade dos leaders assenta quase sempre em autênticas puerilidades [...]»
* «Não há nada [...] mais vertiginoso e alucinante do que a queda de um mito.»
* « [...] há estados de espírito que não conduzem a parte alguma.»
* « [...] a gente nem sabe do que as pessoas são capazes para iludirem a ausência de um sentido para a vida, para escaparem à miséria ou ao peso dos outros.»
No próximo dia 27 de Maio (sexta-feira), pelas 10h30, realizar-se-á, na BECRE, a III Conferência de Design Gráfico com o designer Miguel Neiva que irá apresentar o seu projecto "ColorAdd".
"O projecto ColorAdd, que teve como origem uma tese de mestrado, foi desenvolvido para ajudar a minorar o problema de um universo significativo da população mundial numa área em que todas as sociedades são e estão cada vez mais envolvidas e preocupadas – a inclusão.
Numa altura em que tanto se fala em “design inclusivo”, este projecto apresenta uma solução que permite aos daltónicos identificar as cores. O daltonismo, deficiência de transmissão hereditária — sem cura, que afecta maioritariamente indivíduos do sexo masculino — estima-se que quase 10% da população masculina seja daltónica, em diferentes graus, mas com alguma dificuldade na interpretação da cor.
Oferecer aos daltónicos independência aquisitiva, uma mais fácil integração social em situações que a opção e escolha da cor é relevante e a minimização do sentimento de perda gerada pela deficiência, com o consequente aumento de bem-estar e autoconfiança.
“Como escolher ou comprar uma peça de roupa sem conseguir identificar as cores? O que responder ao filho que pede o lápis verde para pintar a árvore? Como interpretar o mapa do metro se as linhas são representadas por cores? Como respeitar as bandeiras de perigo na praia? Como cumprir uma vocação relacionada com a indústria gráfica, química, da moda ou da decoração, se todas estão ancoradas no domínio da cor?”
Transversal a todos os quadrantes da sociedade global, independentemente da sua localização geográfica, cultura, língua, religião, bem como às diferentes vertentes sócio-económicas, como por exemplo, a Saúde, Educação, Transportes e Industria têxtil.
Pretende-se que a indústria e a sociedade vejam neste projecto — ColorAdd — um contributo para melhorar a satisfação e o bem-estar de um grupo de indivíduos que, pelas suas características de visão, se encontram privados de realizar com independência, segurança e tranquilidade todo e qualquer acto onde a cor seja factor determinante.
Este projecto tem uma finalidade muito própria. A intenção é um dos critérios que deve acompanhar o designer no seu processo criativo: este, além da interiorização do conceito básico e elementar do design, forma adequada à função, deve ter em consideração contribuir para o melhoramento da qualidade de vida do indivíduo, trabalhando no “interface” produto/utilizador para que o objecto sirva realmente a sua “função”, seja um “objecto ao serviço do utilizador”.
O projecto ColorAdd apresenta uma solução sustentada, de implementar um código universal, que se julga ser de um contributo inquestionável para a inclusão. Reforçando e valorizando o “design for all”.
"Projecto único, de âmbito UNIVERSAL e TRANSVERSAL
com irrefutável contributo para inclusão e forte impacto social."