O serviço público de educação é um pilar essencial e imprescindível de uma democracia que, por definição, garanta a igualdade de oportunidades e o desenvolvimento integral de uma sociedade moderna.
Realizou-se no dia 25 de Maio de 2011, pelas 19:30 horas, na BECRE, a sexta sessão da Comunidade de Leitores, no âmbito do projecto Novas Oportunidades a Ler+. Desta vez, a obra objecto de análise foi «O que diz Molero» de Dinis Machado.
Os participantes na sessão, após terem procedido à análise dos elementos paratextuais de diferentes edições da referida obra, debruçaram-se sobre alguns aspectos biográficos do autor que são visíveis ao longo da narrativa: o quotidiano do Bairro Alto, a política, a música e a banda desenhada.
Considerou-se que a análise feita pelos dois interlocutores do relatório de Molero sobre a vida e sobre o livro escrito pelo rapaz, «Angel Face», é o ponto de partida para a multiplicação de comentários, digressões e histórias. «O que diz Molero» salienta a necessidade de nos interrogarmos acerca da identidade portuguesa, bem como os caminhos possíveis para a convivência de uma pluralidade de formas artísticas, utilizando uma linguagem coloquial, humorada e inventiva.
O Ciclo Arte e o Ciclo Docs encerraram neste ano lectivo de 2010-2011 com Leonardo da Vinci, o génio 2º milénio.
Estiveram envolvidas três turmas: duas do Curso Científico-Humanístico de Línguas e Humanidades - História A - e uma turma do 1º ano do Curso Profissional de Técnico de Design Gráfico - História da Cultura e das Artes; bem como as respectivas professoras.
Divulgam-se agora os dados relativos à avaliação da actividade.
Hoje, pelas 19:30 horas, a «Comunidade de Leitores» debaterá as experiências de leitura de «O que diz Molero» de Dinis Machado (1930-2008). O livro, com seis edições no ano das sua publicação (1977) foi por muitos considerado como o «25 de Abril da literatura portuguesa».
João Gaspar Simões adjectivou-o de «livro tagarela» e «prova de ficção, entre lírica e mítica, entre exercício de virtuosismo narrativo e invenção do mundo da adolescência» (in: contracapa da 11ª edição de 1979).
«O que diz Molero é um livro cheio de vida e cheio de força. É um hino aos portugueses dos bairros, aquelas personagens peculiares com quem todos nós já nos cruzámos. O livro é-nos dado da seguinte forma: há dois homens, Mister DeLuxe e Austin, que vão lendo um relatório escrito por um tal de Molero, sobre alguém que é apenas designado por “rapaz”. Este rapaz, embora possa ser considerado a personagem principal do livro, é muitas vezes apenas um pretexto para se falar das outras personagens, que são as pessoas que passaram pela vida do rapaz e que o influenciaram, uns mais, outros menos.
É um livro escrito com muito bom humor e que diverte imenso o leitor. Mas para além deste lado mais bem-disposto, há também espaço para os pequenos dramas e passagens que nos fazem sonhar, nomeadamente o fim da história, que, obviamente, não vou revelar. Mas é, sem dúvida, o lado humorístico que predomina, muito graças às fantásticas personagens, cheias de particularidades ou, como dizia um tal de Zuca, cheias de apartes.
A obra tem um ritmo frenético e é muito difícil parar de ler. O que, de resto, não é problema, uma vez que se lê muito bem e sempre com um sorriso nos lábios (se não chegar mesmo à gargalhada).
De resto, pouco mais há a acrescentar. É um livro despretensioso e só por isso adquire uma força fantástica. Só os nomes das personagens dão vontade de ler o livro. Há o Peida Gadocha, o Bigodes Piaçaba, o Descoiso, o Vampiro Humano, o Peito Rente, o Bexigas Doidas… e muitos outros.
Luiz Pacheco resumiu muito bem o que se pode encontrar neste livro: “Um livro-bomba, uma obra de arromba.»
António Feio e José Pedro Gomes na adaptação teatral de 1999
Algumas frases antológicas de «O Que Diz Molero»:
* «Teve uma infância estranha [...] Em última análise, todas as infâncias o são.»
* « [...] inventámos a roda e o avião, construímos barragens e arranha-céus [...] mas a verdade é que não sabemos nada de nada [...]»
* « [...] a autoridade dos leaders assenta quase sempre em autênticas puerilidades [...]»
* «Não há nada [...] mais vertiginoso e alucinante do que a queda de um mito.»
* « [...] há estados de espírito que não conduzem a parte alguma.»
* « [...] a gente nem sabe do que as pessoas são capazes para iludirem a ausência de um sentido para a vida, para escaparem à miséria ou ao peso dos outros.»