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Teatro Municipal de Almada
José Fernando Vasco
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| Bouteille et poisons, Georges Braque, c.1910 |
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| A garrafa e os peixes (amarelo), a linha do horizonte e as linhas de fuga (verde), a separação entre tonalidades diferentes (azul). |
Foi em França que o escritor inglês Aldous Huxley escreveu o seu livro mais conhecido - o romance futurista Admirável Mundo Novo (1932) -, que utiliza a ficção científica para nos apresentar uma sociedade hierárquica, exageradamente mecanizada e dominada pela manipulação genética. Foi ainda por intermédio desta obra de ficção científica que o escritor obteve fama internacional ao estabelecer com ela uma visão pessimista sobre a criação das sociedades tecnológicas. Em Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley descreve uma sociedade perfeita dominada por um único governante e com castas que desconhecem o conceito de família e de moral. O estado distribui aos cidadãos uma droga chamada “soma”, que faz com que todos os habitantes levem uma vida calma e disciplinada. No entanto, a estranheza desta sociedade, que vive permanentemente em estado de doping coletivo, envolve mais situações insólitas: 1. o estado proporciona cinemas onde a plateia é ligada a terminais sensoriais que permitem acompanhar os filmes conhecendo as sensações, os paladares e os cheiros que saem diretamente da tela; 2. o sexo é dividido em duas partes, uma para fornecer prazer, considerada livre desde que não houvesse cópula (cada casal liga-se a terminais especiais, transmitindo um ao outro as sensações do sexo através da mente e não do corpo) e, a outra, com o objectivo de procriação, embora dependente de uma autorização estatal; 3. as crianças são geradas no interior de provetas e precocemente adaptadas a situações profissionais futuras: por exemplo, aqueles que vão trabalhar como mineiros efectuam todo o desenvolvimento embrionário numa sala às escuras, e os que serão soldados são ensinados através de eletrochoques a não apreciar a natureza, as flores, nem os animais selvagens.