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Vídeo-Poema XXII: «Fim» de Mário de Sá-Carneiro

 «Fim»
(1916)

poema de Mário de Sá-Carneiro
música de João Gil
voz de Luís Represas
instrumentação de Trovante


Quando eu morrer batam em latas, 
Rompam aos saltos e aos pinotes
Façam estalar no ar chicotes, 
Chamem palhaços e acrobatas.

Que o meu caixão vá sobre um burro 
Ajaezado à andaluza:
A um morto nada se recusa, 
Eu quero por força ir de burro.
José Fernando Vasco

Vídeo-poema XXI: «Pedra Filosofal» de António Gedeão

«Pedra Filosofal»

poema de António Gedeão
música de Manuel Freire

declamação coletiva por formandos, formadores e assistentes ESCT
coordenação e edição: Luís Gomes

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

 In:
Movimento Perpétuo, 1956

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Vídeo-poema IX: «Acordai» de José Gomes Ferreira
Vídeo-poema X: «Sabedoria» de José Régio
Vídeo-poema XI: «Uma pequenina luz» de Jorge de Sena
Vídeo-poema XII: «Tabacaria» de Álvaro de Campos, por Mário Viegas
Vídeo-poema XIII: «As mãos» de Manuel Alegre
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Vídeo-poema XVIII: «Ser Poeta» de Florbela Espanca
Vídeo-poema XIX: «Outra Margem» de Maria Rosa Colaço
Vídeo-poema XX: «Havia um homem...» de Herberto Hélder

José Fernando Vasco

Vídeo-poema XIX: «Outra Margem» de Maria Rosa Colaço

«Outra Margem»
Poema de Maria Rosa Colaço
Compositor: Trovante



Outra Margem

E com um búzio nos olhos claros
Vinham do cais, da outra margem
Vinham do campo e da cidade
Qual a canção? Qual a viagem?

Vinham p’rá escola. Que desejavam?
De face suja, iluminada?
Traziam sonhos e pesadelos.
Eram a noite e a madrugada.

Vinham sozinhos com o seu destino.
Ali chegavam. Ali estavam.
Eram já velhos? Eram meninos?
Vinham p’rá escola. O que esperavam?

Vinham de longe. Vinham sozinhos.
Lá da planície. Lá da cidade.
Das casas pobres. Dos bairros tristes.
Vinham p’rá escola: a novidade.

E com uma estrela na mão direita
E os olhos grandes e voz macia
Ali chegaram para aprender
O sonho a vida a poesia.

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Vídeo-poema XVIII: «Ser Poeta» de Florbela Espanca

José Fernando Vasco

Vídeo-poema XVIII: «Ser Poeta» de Florbela Espanca

Ser Poeta / Perdidamente
Poema de Florbela Espanca
Compositor: João Gil

Instrumentistas: 
Luís Represas - voz 
João Gil - guitarras 
Manuel Faria - Piano, Sintetizador 
José Martins - Sintetizador 
Fernando Júdice - Baixo 
José Salgueiro - Bateria e percussões
Artur Costa - Saxofone



SER POETA

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhas de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dize-lo cantando a toda a gente!

in: 
Florbela Espanca (1930). Charneca em flor.


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Vídeo-poema XVII: «Mudam-se Os Tempos...» de Luís de Camões

José Fernando Vasco

Prémio Camões 2013 distingue a «inovação estilística e a profunda humanidade» da obra literária de Mia Couto


«O júri do Prémio Camões escolheu hoje o escritor Mia Couto, tendo em conta a "vasta obra ficcional caracterizada pela inovação estilística e a profunda humanidade", disse à Lusa um dos jurados.

José Carlos Vasconcelos que constitui o júri, ao lado, entre outros de José Agualusa e João Paulo Borges Coelho, disse que foi "ponderado tudo o que significa [a obra de Mia Couto] nas literaturas de Língua Portuguesa e na de Moçambique".

"Ao longo de 30 anos de publicação, ele construiu uma vasta obra ficcional caracterizada pela inovação estilística e profunda humanidade, o que tem sabido renovar na sua produção", disse Vasconcelos.
A obra de Mia Couto, "inicialmente, foi muito valorizada pela criação e inovação verbal, mas tem tido uma cada vez maior solidez na estrutura narrativa e capacidade de transportar para a escrita a oralidade", disse.

Para os jurados, a obra de Mia Couto conseguiu "passar do local para o global", tendo ainda referido que o autor que já editou 30 livros tem extravasado as suas fronteiras nacionais e tem "tido um grande reconhecimento da crítica".

O júri desta 25.ª edição do Prémio Camões reuniu-se hoje no Rio de Janeiro e foi constituído por Clara Crabbé Rocha, catedrática da Universidade Nova de Lisboa e José Carlos Vasconcelos, diretor do JL -- Jornal de Letras, Artes e Ideias, ambos de Portugal, o escritor moçambicano João Paulo Borges Coelho, o escritor angolano José Eduardo Agualusa, Alcir Pécora, crítico e professor da Universidade de Campinas, o diplomata Alberto da Costa e Silva, membro da Academia Brasileira de Letras, pelo Brasil.

O escritor português Vasco Graça Moura considerou hoje a atribuição do Prémio Camões 2013 ao moçambicano Mia Couto “perfeitamente merecida” e elogiou o autor pela “capacidade de invenção verbal”.

“É uma atribuição perfeitamente merecida. Mia Couto é um grande escritor, parece-me perfeitamente justificado”, observou Vasco Graça Moura, escritor e presidente do Centro Cultural de Belém, em declarações à Lusa.

Para Graça Moura, o escritor moçambicano Mia Couto é um “grande autor de língua portuguesa” e tem “uma capacidade de invenção verbal surpreendente.

Por isso, na perspetiva do escritor português, a obra de Mia Couto “ultrapassa, de algum modo, os limites normais da prosa escrita em português”.

O júri da 25.ª edição decidiu, na segunda-feira, premiar Mia Couto pela “vasta obra ficcional, caracterizada pela inovação estilística e pela profunda humanidade”.

A obra de Mia Couto, “inicialmente, foi muito valorizada pela criação e inovação verbal, mas tem tido uma cada vez maior solidez na estrutura narrativa e capacidade de transportar para a escrita a oralidade”, disse à Lusa José Carlos Vasconcelos, membro do júri.

O Prémio Camões foi criado por Portugal e pelo Brasil e atribuído pela primeira vez em 1989, distinguindo o escritor Miguel Torga.

Mia Couto é o segundo escritor moçambicano a receber o Prémio Camões, depois de José Craveirinha, em 1991.»

Fonte:
iOnline 1 - 2

Obras de Mia Couto
disponíveis para consulta na BECRE








José Fernando Vasco

Vídeo-poema XVII: «Mudam-se Os Tempos, Mudam-se As Vontades» de Luís Vaz de Camões

«Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades»
de Luís Vaz de Camões

dito por
Rui Reininho


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, 
Muda-se o ser, muda-se a confiança: 
Todo o mundo é composto de mudança, 
Tomando sempre novas qualidades. 

Continuamente vemos novidades, 
Diferentes em tudo da esperança: 
Do mal ficam as mágoas na lembrança, 
E do bem (se algum houve) as saudades. 

O tempo cobre o chão de verde manto, 
Que já coberto foi de neve fria, 
E em mim converte em choro o doce canto. 

E afora este mudar-se cada dia, 
Outra mudança faz de mor espanto, 
Que não se muda já como soía. 


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Vídeo-poema XVI: «Poema para Galileu» de António Gedeão

José Fernando Vasco

Vídeo-poema XVI: «Poema para Galileu» de António Gedeão

«Poema para Galileu»
de António Gedeão

Declamado por
Mário Viegas


Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,
aquele teu retrato que toda a gente conhece,
em que a tua bela cabeça desabrocha e floresce
sobre um modesto cabeção de pano.
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.
(Não, não, Galileo! Eu não disse Santo Ofício.
Disse Galeria dos Ofícios.)
Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.

Lembras-te? A Ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria…
Eu sei… eu sei…
As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.
Ai que saudade, Galileo Galilei!

Olha. Sabes? Lá em Florença
está guardado um dedo da tua mão direita num relicário.
Palavra de honra que está!
As voltas que o mundo dá!
Se calhar até há gente que pensa
que entraste no calendário.

Eu queria agradecer-te, Galileo,
a inteligência das coisas que me deste.
Eu,
e quantos milhões de homens como eu
a quem tu esclareceste,
ia jurar- que disparate, Galileo!
- e jurava a pés juntos e apostava a cabeça
sem a menor hesitação-
que os corpos caem tanto mais depressa
quanto mais pesados são.

Pois não é evidente, Galileo?
Quem acredita que um penedo caia
com a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?
Esta era a inteligência que Deus nos deu.

Estava agora a lembrar-me, Galileo,
daquela cena em que tu estavas sentado num escabelo
e tinhas à tua frente
um friso de homens doutos, hirtos, de toga e de capelo
a olharem-te severamente.
Estavam todos a ralhar contigo,
que parecia impossível que um homem da tua idade
e da tua condição,
se tivesse tornado num perigo
para a Humanidade
e para a Civilização.
Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscavas os lábios,
e percorrias, cheio de piedade,
os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.

Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,
desceram lá das suas alturas
e poisaram, como aves aturdidas- parece-me que estou a vê-las -,
nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.
E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qual
conforme suas eminências desejavam,
e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonal
e que os astros bailavam e entoavam
à meia-noite louvores à harmonia universal.
E juraste que nunca mais repetirias
nem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,
aquelas abomináveis heresias
que ensinavas e descrevias
para eterna perdição da tua alma.

Ai Galileo!
Mal sabem os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo
que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,
andavam a correr e a rolar pelos espaços
à razão de trinta quilómetros por segundo.
Tu é que sabias, Galileo Galilei.

Por isso eram teus olhos misericordiosos,
por isso era teu coração cheio de piedade,
piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditosos
a quem Deus dispensou de buscar a verdade.
Por isso estoicamente, mansamente,
resististe a todas as torturas,
a todas as angústias, a todos os contratempos,
enquanto eles, do alto incessível das suas alturas,
foram caindo,
caindo,
caindo,
caindo,
caindo sempre,
e sempre,
ininterruptamente,
na razão directa do quadrado dos tempos.


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Vídeo-poema XV: «Cântico Negro» de José Régio
José Fernando Vasco

«À Descoberta de ... Ary dos Santos» - uma atividade SCALA



«A SCALA organiza no próximo sábado mais uma palestra literária, desta vez "À Descoberta de Ary dos Santos...", com o prof. José Fernando Vasco.

José Vasco propôe-nos uma viagem pela escrita do poeta, especialmente na poesia escrita para a canção, que tão bem interpretadas foram por Carlos do Carmo e Fernando Tordo, entre outros.

Haverá também a oportunidade de se declamarem poemas de José Carlos Ary dos Santos pelos poetas presentes.

Apareçam!»

Fonte:

José Fernando Vasco

«Memórias do Tempo da Outra Senhora»: uma visão de Estremoz e do Alentejo por Hernâni Matos

Disponível para consulta na BECRE
graças à amável oferta de Júlia Coutinho

Sinopse:
«Através das suas recordações dos tempos de infância e juventude, Hernâni Matos tirou da sombra e do pó esse Alentejo já enterrado nas lonjuras da memória, mas ainda cravado no coração dos alentejanos. Mais do que sonhado, este livro foi trabalhado com dedicação pertinaz pelo seu autor que, ao longo de décadas, tem recolhido o material disperso e a informação variada que a escrita vai cerzindo para restaurar a tela genuína mas puída pelas mudanças drásticas que os tempos trouxeram a estas paragens.»

Índice:
Ante-prefácio
Prefácio
Memórias do Espírito Santo
Igreja de Santo André: História de um Crime
A brincar se constrói a personalidade
O jogo do botão
As corridas de rodas
O jogo do pião
O cavalinho de pau
A caça aos grilos
Livro de Leitura da Primeira Classe
Dia das mentiras
Treze é a dúzia do frade
Os churriões
Os servos da gleba e a jogatina
As viagens de comboio
Os candeeiros a petróleo
Os bailes das Sociedades
Sexta-Feira Santa e rock and roll
As mercearias antigas
In vino veritas
Cem Anos da Sapataria Joaquim Miguel
Rossio Marquês de Pombal: Símbolo de Soberania Popular
Edifício do Museu da Alfaia Agrícola
Mercado de Sábado
Posfácio
Bibliografia
Ilustrações

O AUTOR:
Hernâni de Matos, licenciado em Física Teórica pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, possui a pós-graduação em Ensino da Física pela Universidade de Évora. É professor aposentado do Ensino Secundário. Filatelista desde os dez anos de idade, expositor, jurado e conferencista filatélico, é autor de mais de oito dezenas de artigos em revistas da especialidade e em catálogos de exposições filatélicas. Pela sua acção em prol da Filatelia Portuguesa recebeu variados prémios e distinções, com especial destaque para a “Ordem de Mérito Filatélico”, com que foi agraciado em 2004, pelo Congresso da Federação Portuguesa de Filatelia. Fora da área filatélico-literária intervém em domínios como a Etnografia e a Cultura Popular Alentejana, publicando textos, apresentando comunicações e montando exposições iconográficas. É colaborador regular da imprensa regional e da imprensa escolar. Em 2009 publicou o livro “Bonecos da Gastronomia”, que já conheceu segunda edição. Desde Fevereiro de 2010 que mantém o blogue “Do tempo da outra senhora”.

Fonte:

José Fernando Vasco

«SobreViver: ad ritmo poetae», o novo livro de poesia de Miguel Almeida


Disponível para consulta na BECRE e no domicílio
a partir de 19 de abril de 2013,
graças à amável oferta pelo autor

Esta é uma poesia que, mais que sugerir, diz. E também deixa claro que Miguel Almeida é um poeta que faz muita falta no panorama da literatura portuguesa, é uma voz carregada de individualidade colectiva e, por isso, não encontro significativos paralelos em rela­ção ao seu discurso. Já tinha ficado impressionado com o autor, quando há algum tempo adquiri e li de um fôlego o seu excelente Templo da Glória Literária, excepcional sob todos os pontos de vista (…). O autor revela-se, cada vez mais, um poeta de discurso sólido, criativo, empenhado perante a vida, com uma poesia que se pensa a si mesma e que pensa cada um de nós (…).” (in: Joaquim Pessoa, Prefácio)

Miguel Almeida é um escritor de interrogações, que se empenha na palavra para arriscar lucidamente a vida, e desse risco fazer poesia.” (Maria Alzira Seixo)

Miguel Almeida dá-nos a poesia a olhar o mundo, a olhar-se a si própria e a agir sobre o acto de pensar. SobreViver é um caminho para o deslumbramento. É um livro que merece ser lido.” (Maria Fernanda Navarro)

SOBRE O AUTOR:
Nasceu em Rãs, pequena aldeia do concelho de Sátão, distrito de Viseu, em 1970.

É autor de Um Planeta Ameaçado: A Ciência Perante o Colapso da Biosfera (2006), A Cirurgia do Prazer: Contos Morais e Sexuais (2010), O Templo da Glória Literária: Versão Poética (2010), Ser Como Tu (2011), Chireto: Uma semana de histórias para contar ao deitar (2011), O Lugar das Coisas (2012) e Aprenducar com a Mãe Natureza: Uma semana de histórias para contar ao deitar (2012). Publicou também, desta vez em co-autoria, Já não se fazem Homens como antigamente (2010). É o coordenador da Colectânea de Novos Poetas Portugueses intitulada Palavras Nossas (Volume I, 2011; Volume II, 2012) e da colectânea Contos do Nosso Tempo (2012).

Licenciado em Filosofia (Variante de Filosofia da Ciência) pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde também fez o Mestrado em Filosofia da Natureza e do Ambiente, exerce actualmente funções docentes na Escola Secundária Cacilhas-Tejo, em Almada.

Vive na Costa da Caparica, com a mulher, Carla, e o filho, Gabriel, na proximidade poética da família e do mar.

Fonte:

OUTROS LIVROS DE MIGUEL ALMEIDA DISPONÍVEIS NA BECRE

Literatura Infanto-Juvenil



Ensaio


Poesia



 Prosa



José Fernando Vasco

Vídeo-poema XVI: «As Portas Que Abril Abriu» de José Carlos Ary dos Santos

«José Carlos Ary dos Santos nasceu a 7 de Dezembro de 1937. Desde cedo, deu mostras da sua irreverência e da sua rebeldia. Não foi um aluno brilhante e limitou-se a concluir o curso liceal. O arranque do percurso poético de Ary dos Santos foi difícil. Se bem que o seu primeiro livro "Asas" remonte a 1953, tinha ele 16 anos, é quase a meio da década de 60 que Ary dos Santos inicia de facto a sua carreira de poeta. 


E só dez anos depois do primeiro volume, em 1963, surge "A liturgia do sangue". Seguiram-se "Adereços, Endereços", em 1965, e "Insofrimento, in Sofrimento", em 1969. Depois do 25 de Abril publica "As portas que Abril abriu" em 1975, e "20 anos de poesia", em 1983.

Trabalha com os nomes mais importantes da música ligeira portuguesa e assume-se, ainda que num contexto nunca totalmente definido, como um anti-regime. A ligação ao Partido Comunista, a vida de boémio, um modo de ser desbragado e incontido e a assumpção descomplexada da sua condição de homossexual tornaram-se então as suas imagens de marca [...]

Morreu aos 46 anos de idade, vítima de cirrose.»

Fonte: RTP/Retratos contemporâneos

Disponível para consulta na BECRE e no domicílio, graças à oferta de José Fernando Vasco

A presente compilação de 1994, da responsabilidade de Francisco Melo para as Edições Avante, reúne toda a obra publicada em vida de José Carlos Ary dos Santos (1937-1984):
* A Liturgia do Sangue (1963)
* Tempo da Lenda das Amendoeiras (1964)
* Adereços, Endereços (1965)
* Insofrimento in Sofrimento (1969)
* Fotos-Grafias (1970)
* Resumo (1972)
* As Portas Que Abril Abriu (1975)
* O Sangue das Palavras (1978)
* VIII Sonetos (1984)
* Asas (1952)


 «As Portas Que Abril Abriu»
(1975)




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José Fernando Vasco

Óscar Lopes (1917-2013) e a «História da Literatura Portuguesa»


«Óscar Lopes nasceu em Leça da Palmeira, Matosinhos, em 1917, foi professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Com António José Saraiva, foi co-autor da "História da Literatura Portuguesa" (1955), apontada como uma obra de referência. A sua extensa bibliografia inclui dezenas de ensaios, estudos e críticas sobre literatura, linguística e cultura portuguesas. Colaborou ainda em algumas das mais importantes revistas literárias portuguesas, como a Colóquio/Letras e a Seara Nova. 

Óscar Lopes, ex-membro do comité central do PCP, foi condecorado em 2006 pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.»

Fonte:

DISPONÍVEL PARA CONSULTA NA BECRE:

SARAIVA, António José, e outro
História da literatura portuguesa / António josé Saraiva, Óscar Lopes. - 13ª ed. - Porto : Porto Editora, 1985. - 1218 [+1] p
1ª edição: 1955.
Literatura portuguesa / Literatura portuguesa - história
CDU: 821.134.3 (091)
«Obra redigida em parceria por dois grandes vultos da história e da crítica literária do século XX, Óscar Lopes e António José Saraiva, a História da Literatura Portuguesa [...] procurou colocar ao alcance [...] de estudantes e de simples estudiosos do fenómeno literário, as aquisições [...] da história literária portuguesa, ao mesmo tempo que as correlacionava com factos históricos, sociais e culturais.


Uma das suas premissas consistia [...] na tentativa de esboçar "as condições histórico-sociais que devem servir à compreensão da nossa história literária". 

Nesse prefácio, considerando a obra literária como um documento histórico, os autores dirigem a sua perspetiva para a análise rigorosa das questões que o texto literário suscitava, nomeadamente, "em que época foi produzido; quem o produziu; a quem se destinava; que facto ou factos o suscitaram ou interferiram na sua fatura; para quê foi produzido". 

Ao mesmo tempo, como repositório cultural de uma tradição coletiva, postularam os autores [...] que "Tanto pela língua como pelos temas, a literatura é talvez de todas as atividades artísticas a mais ligada a uma nacionalidade", vivendo não só da permanente interdependência com o seu meio linguístico e humano de origem, como da interação com o conjunto das histórias literárias estrangeiras que a influenciam. 

[...] O espírito de síntese, o rigor da análise na inserção de autores e obras nos seus contextos, a sua abertura à evolução da contemporaneidade são algumas das razões do seu sucesso, mantendo-se, ainda hoje, uma obra de referência incontornável para o estudo da História da Literatura Portuguesa.»

Fonte:
História da Literatura Portuguesa. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2013.
[Consult. 2013-03-23].
Disponível em http://www.infopedia.pt/mostra_artigo.jsp?id=12100000

TAMBÉM DISPONÍVEL PARA CONSULTA NA BECRE:

VERSÃO CD-ROM
Está disponível para consulta e requisição na BECRE, «História da Literatura Portuguesa», em registo CD-ROM, um título importante e que reforça o fundo documental em suporte digital.

A partir do texto integral da obra com o mesmo título, da autoria de António José Saraiva e Óscar Lopes, [...] este produto disponibiliza diversas ferramentas de trabalho e inúmeros recursos digitais, com uma forte presença da vertente multimédia: centenas de imagens, vídeos, locuções, diaporamas e frisos cronológicos, sendo a maioria das palavras clicáveis, elemento facilitador da pesquisa de conteúdos associados.


Esta edição da Porto Editora Multimédia contou com a colaboração de Leonor Curado Neves, Rita Marnoto, Helena Carvalhão Buescu e Isabel Pires de Lima, para além de incluir a participação com textos adicionais de Célia Vieira, Isabel Rio Novo e Sónia Ferreira.

Aqui estão incluídos textos bibliográficos de importantes autores portugueses com análise das obras mais relevantes; elucidário com explicação desenvolvida de centenas de termos literários; base bibliográfica composta por milhares de referências, permitindo a procura imediata de obras através de pontos de acesso (título, nome do autor, editora, data de edição); textos biobibliográficos complementares de análise da vida e obra de inúmeros escritores portugueses de renome.

VERSÃO DVD-ROM
A História da Literatura Portuguesa, da autoria de Óscar Lopes e António José Saraiva, constitui o corpo integral desta aplicação.

A disponibilização de diversas ferramentas de trabalho, vastos conteúdos adicionais relacionados com autores, obras e personagens e inúmeros recursos multimédia tornam esta aplicação obrigatória para todos os que se interessam pela nossa literatura. 

Inclui inúmeros textos complementares sobre a vida e obra dos mais relevantes escritores portugueses.


O Elucidário explica o significado de mais de meio milhar de termos de índole literária. Uma base bibliográfica composta por milhares de referências permite a procura imediata de obras pelo respectivo título, nome do autor ou editora e data de edição. A maioria das palavras são clicáveis, facilitando a pesquisa de qualquer conteúdo associado à consulta que se está a efectuar.

A forte vertente multimédia reflecte-se na apresentação de centenas de imagens, vídeos, locuções, diaporamas e frisos cronológicos.

Críticas de imprensa

Correio da Manhã:
"Uma particularidade: a maior parte das palavras estão em hiper-texto, o que remete, para mais e melhor informação sobre estes oito séculos de Literatura, nunca concluída, uma vez que a actualização se faz on-ine e a título gratuito." 

Público:
" (...) constitui uma importante ferramenta de trabalho para estudantes, professores, escritores e todos os que se interessam por literatura." 

Fonte:

José Fernando Vasco
Conceição Toscano

Dia Mundial da Poesia, em Cacilhas

Disponível para consulta na BECRE
graças à amável oferta de Henrique Mota/
Associação de Cidadania de Cacilhas «O Farol».

Assinalando o Dia Mundial da Poesia, a Associação de Cidadania de Cacilhas «O Farol», conjuntamente com «Chá de Histórias», publicou o caderno de poesia «A poesia vadia de volta a Cacilhas, com um pé na rua».
Com poemas de António Boeiro, Bernardes-Silva, Graça Nazaré, João de Jesus, Jorge Fernandes, José Mota, Luís Pulido, Nogueira Pardal, Pedro Marreiro, Susana Marreiro; o caderno de poesia agora publicado segue a tradição de vários anos de poetas e poesias  em Cacilhas e Almada.


Hiperligações:

José Fernando Vasco

«A Minha Janela» de Maria Gertrudes Novais + Poetas Almadenses


A décima sessão de «O Prazer de Ler+» - realizada no passado dia 13 de março na Biblioteca Escolar da ES Cacilhas-Tejo, encerrou da melhor forma o programa de incentivo e promoção do livro e da leitura organizado pela BECRE e pelo CNO de Cacilhas.
Contando com a habitual presença de «Poetas Almadenses» e centrado no último livro de poesia  («A minha janela») de Maria Gertrudes Novais, presidente da direção da SCALA; a sessão iniciou-se com a intervenção inicial do professor bibliotecário que agradeceu e relembrou todos os convidados das sessões anteriores: Amélia Campos, Joana Rodrigues, Guilhermina Gomes, Orlando Ferreira, Rui Zink, Miguel Almeida, Inácio Ludgero, Rui Paiva, António Júlio Rosa, Júlia Coutinho, Graça Ferreira, Carmo Miranda Machado, Américo Morgado, Cristina Carvalho, Rosa Alface, José Mário Costa, Maria Amélia Cortes e Luís Alves.


Ermelinda Toscano apresentou a autora e a sua obra e os «Poetas Almadenses», bem como outros presentes na sala, declamaram poemas da mais recente coletânea da autora.


Como corolário interessante - e inesperado - da sessão, um formando de curso EFA declamou um poema de Bob Dylan, «Blowin' In the Wind» que traduziu para português em simultâneo.
A escolha do poema revelou-se muito adequada!


Alzira Lopes, formanda de curso EFA, homenageou todos os poetas presentes nas várias sessões de «O Prazer de Ler+» com um poema da sua autoria e que, com a sua autorização, aqui transcrevemos.

A poesia é uma arte
Ela expressa sentimento
Ela transmite emoção
Ela sai do mais profundo ser
É com alma e coração
É no fundo um saber

Tanta poesia escutei
Destes poetas vadios
Foram versos, foram prosas
Foram tantas palavras soltas
Que escutei com atenção
Ditas com tanta ternura
Que me encheram o coração

~~~~~~~~~~~~

Divulgam-se os dados estatísticos de avaliação da atividade
«PDL+ X - Maria Gertrudes Novais», integrada no programa «O Prazer de Ler+».


José Fernando Vasco

Vídeo-poema XV: «Cântico Negro» de José Régio

«Cântico Negro»

Poema de José Régio

Declamado por:

 I - Marco d'Almeida
II - João Villaret



I
«Cântico Negro»
declamado por Marco d'Almeida


II
«Cântico Negro»
declamado por João Villaret



"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!


Hiperligações:
Video-Poema I - «O Portugal Futuro» de Ruy Belo
Vídeo-Poema II - «As palavras interditas» de Eugénio de Andrade
Vídeo-Poema III - «Da mais alta janela da minha casa» de Alberto Caeiro
Vídeo-Poema IV - «Quando vier a Primavera» de Alberto Caeiro
Vídeo-Poema V - «Mãezinha» de António Gedeão
Vídeo Poema VI - «Portugal» de Alexandre O'Neil
Vídeo-poema VII - «Pastelaria» de Mário Cesariny
Vídeo-poema VIII - «O Sorriso» de Eugénio de Andrade
Vídeo-poema IX: «Acordai» de José Gomes Ferreira
Vídeo-poema X: «Sabedoria» de José Régio
Vídeo-poema XI: «Uma pequenina luz» de Jorge de Sena
Vídeo-poema XII: «Tabacaria» de Álvaro de Campos, por Mário Viegas
Vídeo-poema XIII: «As mãos» de Manuel Alegre
Vídeo-poema XIV: «You Are Welcome To Elsinore» de Mário de Cesariny


José Fernando Vasco
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