O serviço público de educação é um pilar essencial e imprescindível de uma democracia que, por definição, garanta a igualdade de oportunidades e o desenvolvimento integral de uma sociedade moderna.
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Canções de Abril XXXII - Paulo de Carvalho. E depois do adeus 2012

A enorme coragem de um cantor de eleição:

Paulo de Carvalho
E depois do adeus (versão acapela)

Letra: José Niza
Música: José Calvário




Ao vivo na Assembleia da República, 25 de Abril de 2012





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José Fernando Vasco

Canções de Abril XXXI - Deolinda. Parva Que Sou


Sou da geração sem remuneração
e não me incomoda esta condição.
Que parva que eu sou!
Porque isto está mal e vai continuar, 
já é uma sorte eu poder estagiar.
Que parva que eu sou!
E fico a pensar, 
que mundo tão parvo 
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘casinha dos pais’, 
se já tenho tudo, pra quê querer mais?
Que parva que eu sou
Filhos, maridos, estou sempre a adiar 
e ainda me falta o carro pagar
Que parva que eu sou!
E fico a pensar, 
que mundo tão parvo 
onde para ser escravo é preciso estudar.

Sou da geração ‘vou queixar-me pra quê?’ 
Há alguém bem pior do que eu na TV.
Que parva que eu sou!
Sou da geração ‘eu já não posso mais!’ 
que esta situação dura há tempo demais
E parva não sou!
E fico a pensar,
que mundo tão parvo 
onde para ser escravo é preciso estudar.

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Canções de Abril XII - Fernando Tordo. Tourada
Canções de Abril XIII - Paulo de Carvalho. E depois do adeus
Canções de Abril XIV - José Afonso. Grândola Vila Morena
Canções de Abril XV - Madredeus. As Brumas do Futuro
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José Fernando Vasco

Canções de Abril XXX - Green Windows. Uma nova maneira de encarar o mundo (1972)

(1972)

Green Windows
Uma Nova Maneira de Encarar o Mundo

 

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Canções de Abril XXIX. Sérgio Godihno. Organização Popular

José Fernando Vasco

Canções de Abril XXIX. Sérgio Godihno. Organização Popular

(1976)

Letra e música:
Sérgio Godinho


Éramos para cima de um milhão
de moradores sem eira nem beira
a fazer das tripas coração
cada qual da sua maneira
a viver sem água
e a viver sem geito
a viver sem trégua
uma vida a eito
em barracas velhas
e andares desfeitos.

E da conjunção destes factores
pouco a pouco nasceu a ideia
de formar comissões de moradores
elegíveis em assembleia
e exigimos muito
fizemos projectos
ocupamos casas
e erguemos tectos
com a população
e até alguns arquitectos.

Vamos pr´a frente
Com a organização popular (Bis)
Vencer é lutar.

Eram várias vezes um milhão
vários milhões de trabalhadores
a fazer das tripas coração
e a sonhar com dias melhores
a vender o corpo
e a comprar migalhas
a emprestar a vida
e a viver ao calha
e a ser despedido
por dá cá aquela palha.

E da conjunção destes factores
pouco a pouco nasceu a ideia
de formar comissões de trabalhadores
elegíveis em assembleia
lutamos primeiro
para sobreviver
mas no fim de contas
para enfim poder
mudar o destino
lutar e vencer.

Vamos pr´a frente
Com a organização popular (Bis)
Vencer é lutar.




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Canções de Abril XXVIII - Petrus Castrus. Mestre

(1973)

Mestre

Letra e música:
Petrus Castrus

   

Nada de novo debaixo do Sol
Nada de justo debaixo dos Céus
Apensas teus servos suados
Arando lentamente
Na tarde quente

Mestre
Dos que partiram nem a sombra voltou
Os que ficaram já a guerra levou
Só restam os servos suados
Cavando lentamente
Na tarde quente

Mestre
Os que se ergueram já a vida curvou
Os que gritavam já a morte calou
Que fazer dos servos suados
Chorando lentamente
Na tarde quente

Mestre
Se o sofrimento já não serve o Vigário
Porque esperamos p'ra mudar o cenário
Misericórdia para os servos suados
Morrendo lentamente



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Canções de Abril XXVII - José Mário Branco. Sopram ventos adversos

(1982)

Letra: Manuela de Freitas
Música: José Mário Branco/Herbie Hancock


Sopram ventos adversos
Junto à praia que se quis
E há sentimentos dispersos
Que são barcos submersos

No mar do que não se diz
Nos mastros que vão quebrar
Solta velas de cambraia
E é cada remo a tentar

Menos um barco no mar
Mas um cadáver na praia
O dia nunca alcançado morre em todas as marés
E é sempre dia acabado
Junto ao sargaço espalhado de tudo o que se não fez

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José Fernando Vasco

Canções de Abril XXVI - Fausto. Uns vão bem e outros mal

 (1978)


Senhoras e meus senhores, 
façam roda por favor
Senhoras e meus senhores, 

façam roda por favor, 
cada um com o seu par
Aqui não há desamores,

 se é tudo trabalhador 
o baile vai começar

Senhoras e meus senhores,

 batam certos os pézinhos,
como bate este tambor
Não queremos cá opressores, 

se estivermos bem juntinhos, 
vai-se embora o mandador
Vai-se embora o mandador


Faz lá como tu quiseres, 

faz lá como tu quiseres, 
faz lá como tu quiseres
Folha seca cai ao chão, 

folha seca cai ao chão
Eu não quero o que tu queres, 

eu não quero o que tu queres, 
eu não quero o que tu queres,
Que eu sou doutra condição, 

que eu sou doutra condição

De velhas casas vazias,

 palácios abandonados, 
os pobres fizeram lares
Mas agora todos os dias, 

os polícias bem armados 
desocupam os andares

Para que servem essas casas,

 a não ser para o senhorio viver da especulação
Quem governa faz tábua rasa,

 mas lamenta com fastio 
a crise da habitação
E assim se faz Portugal, 

uns vão bem e outros mal

Faz lá como tu quiseres, 

faz lá como tu quiseres, 
faz lá como tu quiseres
Folha seca cai ao chão, 

folha seca cai ao chão
Eu não quero o que tu queres, 

eu não quero o que tu queres, 
eu não quero o que tu queres,
Que eu sou doutra condição, 

que eu sou doutra condição


Tanta gente sem trabalho, 

não tem pão 
nem tem sardinha
 e nem tem onde morar
Do frio faz agasalho, 

que a gente está tão magrinha 
da fome que anda a rapar
 

O governo dá solução, 
manda os pobres emigrar, 
e os emigrantes que regressaram
Mas com tanto desemprego, 

os ricos podem voltar porque nunca trabalharam
E assim se faz Portugal, 
uns vão bem e outros mal


Faz lá como tu quiseres, 
faz lá como tu quiseres, 
faz lá como tu quiseres
Folha seca cai ao chão, 

folha seca cai ao chão
Eu não quero o que tu queres, 

eu não quero o que tu queres, 
eu não quero o que tu queres,
Que eu sou doutra condição, 

que eu sou doutra condição

E como pode outro alguém, 

tendo interesses tão diferentes, 
governar trabalhadores
Se aquele que vive bem, 

vivendo dos seus serventes, 
tem diferentes valores

Não nos venham com cantigas, 

não cantamos para esquecer, 
nós cantamos para lembrar
Que só muda esta vida, 

quando tiver o poder
 o que vive a trabalhar
Segura bem o teu par, 

que o baile vai terminar.

Faz lá como tu quiseres, 

faz lá como tu quiseres, 
faz lá como tu quiseres
Folha seca cai ao chão, 

folha seca cai ao chão
Eu não quero o que tu queres, 

eu não quero o que tu queres, 
eu não quero o que tu queres,
Que eu sou doutra condição, 

que eu sou doutra condição


Hiperligação:

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José Fernando Vasco

Canções de Abril XXV - José Afonso. Canto Moço

(1970)

Compositor:
José Afonso


Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flor no ramo
Navegamos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de manhã clara

Lá do cimo de uma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noite inteira
Mensageira pomba chamada
Companheira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo de uma montanha

Onde o vento cortou amarras
Largaremos p'la noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca, brisa, moira encantada
Vira a proa da minha barca.

....................................................................................


Hiperligações:  


José Fernando Vasco

Canções de Abril XXIV - Carlos Mendes. E alegre se fez triste

Carlos Mendes
(1974)

Poema:
Manuel Alegre

Compositor:
José Niza


Aquela clara madrugada que
viu lágrimas correrem no teu rosto
e alegre se fez triste como
chuva que viesse em pleno Agosto.

Ela só viu meus dedos nos teus dedos
meu nome no teu nome. E demorados
viu nossos olhos juntos nos segredos
que em silêncio dissemos separados.

A clara madrugada em que parti.
Só ela viu teu rosto olhando a estrada
por onde um automóvel se afastava.

E viu que a pátria estava toda em ti.
E ouviu dizer adeus: essa palavra
que fez tão triste a clara madrugada.


Hiperligações: 
Canções de Abril XXIII - Sérgio Godinho. Bico calado

José Fernando Vasco

Canções de Abril XXIII - Sérgio Godinho. Bico calado

(1976)


Compositor:
Sérgio Godinho


Se eu fosse mal educado
dizia que é muito feio
construir o socialismo
com fascistas de permeio

Mas como não sou, eu fico
cego, surdo, mudo e quedo
a repetir uma história
sem lhe saber o enredo

Por falar em socialismo
lá porque alguém o apregoa
não quer dizer que não esteja
a dizer coisas à toa

E lá porque alguém nos fala
também em revolução
não quer dizer que não esteja
a vender lobo por cão

Eh lá bico calado
muita coisa por dizer
eh lá bico calado
muita luta para vencer

Tenho bichos carpiteiros
não consigo ficar quieto
meto-me no que não devo
no que devo não me meto

Não consigo ficar quieto
devo estar mas é doente
quanto mais ando para trás
mais quero andar para a frente

E quando olho para a frente
vejo um oftalmologista
que me atira areia aos olhos
e que tem poeira na vista

É que ao olhar para isto tudo
há dois olhares bem distintos
o dos que vivem à larga
e o dos que apertam os cintos

Chamo as coisas pelo nome
pão é pãp queijo é queijo
fome é fome povo é povo
saúde é o que eu vos desejo

E se comeste hoje a carne
amanhã rois o osso
e se comeste ontem a ameixa
hoje chupas o caroço

E por falar em comida
voltemos à vaca fria
será que a boca do lobo
já não morde como mordia?

Ou será que já voltamos
à pureza inicial
em que o lobo ainda era
um encanto de animal?

Eh lá bico calado...


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José Fernando Vasco

Canções de Abril XXII - Francisco Fanhais. Cantata da Paz

(1970)

Poema:
Sophia de Mello Breyner Andresen

Música:
Francisco Fanhais

 

 Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar
Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar

Vemos, ouvimos e lemos
Relatórios da fome
O caminho da injustiça
A linguagem do terror

A bomba de Hiroshima
Vergonha de nós todos
Reduziu a cinzas
A carne das crianças

D'África e Vietname
Sobe a lamentação
Dos povos destruídos
Dos povos destroçados

Nada pode apagar
O concerto dos gritos
O nosso tempo é
Pecado organizado.

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José Fernando Vasco

Canções de Abril XXI - José Mário Branco. Queixa das almas jovens censuradas

José Mário Branco
Natália Correia











Poema:
Natália Correia

Música e interpretação:
José Mário Branco



Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola

Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade

Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência

Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro

Penteiam-nos os crânios ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós

Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo

Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro

Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco

Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura

Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante

Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino

Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte




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José Fernando Vasco

Canções de Abril XX - Chico Buarque, Ruy Guerra. «Fado Tropical»



"Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal"


Fado Tropical
(1973)




Oh, musa do meu fado
Oh, minha mãe gentil 
Te deixo consternado 
No primeiro abril 

Mas não sê tão ingrata 
Não esquece quem te amou 
E em tua densa mata 
Se perdeu e se encontrou 

Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal 
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal 

"Sabe, no fundo eu sou um sentimental 
Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo 
Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar 
Meu coração fecha os olhos e sinceramente chora..." 

Com avencas na caatinga 
Alecrins no canavial 
Licores na moringa 
Um vinho tropical 

E a linda mulata 
Com rendas do Alentejo 
De quem numa bravata 
Arrebato um beijo 

Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal 
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal 

"Meu coração tem um sereno jeito 
E as minhas mãos o golpe duro e presto 
De tal maneira que, depois de feito 
Desencontrado, eu mesmo me contesto 

Se trago as mãos distantes do meu peito 
É que há distância entre intenção e gesto 
E se o meu coração nas mãos estreito 
Me assombra a súbita impressão de incesto 

Quando me encontro no calor da luta 
Ostento a aguda empunhadora à proa 
Mas o meu peito se desabotoa 

E se a sentença se anuncia bruta 
Mais que depressa a mão cega executa 
Pois que senão o coração perdoa..." 

Guitarras e sanfonas 
Jasmins, coqueiros, fontes 
Sardinhas, mandioca 
Num suave azulejo 

E o rio Amazonas 
Que corre Trás-os-Montes 
E numa pororoca 
Desagua no Tejo 

Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal 
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal 
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal 
Ainda vai tornar-se um império colonial




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José Fernando Vasco
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