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MNHN - Exposição «Da Physica à Engenharia: A Colecção do Museu de Física do ISEL»


Inauguração da exposição:
19 de julho, pelas 19h00
Museu Nacional de História Natural

«A exposição resulta de um protocolo assinado em 2008 entre o Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL) e o Museu e enquadra-se num programa mais geral de estudo e divulgação do património científico português.
Numa altura em que se comemora os 160 anos da fundação do ISEL, apresentamos uma selecção de instrumentos desta magnífica colecção oitocentista, proveniente do antigo Instituto Industrial de Lisboa, que se distingue pelo seu interesse histórico-científico, raridade e beleza, enquanto testemunho do ensino das ciências em Portugal.»

Rosa Espada

Aparelho de Ingenhouss


Trata-se de um aparelho para mostrar a condutividade térmica em diferentes materiais. É composto por um vaso cilíndrico de vidro com uma tampa metálica. Esta tampa possui seis orifícios tapados por rolhas de cortiça atravessadas por uma haste cilíndrica de material diferente: vidro, latão, madeira, cobre, ferro e chumbo. As seis hastes entram parcialmente dentro do vaso, sendo a metade exterior coberta por cera amarela que funde a 61ºC. Enchendo o vaso com água a ferver de tal modo que as extremidades inferiores das hastes apenas penetrem alguns milímetros dentro da água, ficando assim todas à mesma temperatura, observa-se que a cera funde mais depressa nas hastes metálicas até uma certa distância, o mesmo não acontecendo com as não metálicas. Verifica-se, assim, a condutibilidade dos diferentes metais e mostra-se que o calor se propaga mais rapidamente nos metais do que nos outros materiais. O nome deste aparelho deriva do nome do médico holandês que o inventou em finais do século XVIII: John Ingenhouss (1730-1799).

Rosa Espada

Fenda ótica


Da segunda metade do século XVIII, este instrumento ótico é constituído por duas placas metálicas inseridas num caixilho retangular de madeira, de tal modo que se podem mover, afastando-se ou aproximando-se, delimitando assim entre elas um espaço ou fenda de largura regulável por onde se faz passar um feixe de luz. O caixilho está verticalmente montado num suporte de madeira de duas cores e pode ser colocado na altura pretendida fazendo-o subir ou descer (entre as duas colunas verticais) com o auxílio dos dois pesos laterais.  A passagem de um feixe de luz pela fenda permite apreciar a inflexão/difração dos raios luminosos nos bordos desta, e a sua dispersão em raios de cores. Sendo um instrumento muito simples, foi fundamental na contenda sobre a natureza da luz havida entre os seguidores da teoria corpuscular defendida por Descartes (1596-1650) e, posteriormente, por Newton (1643-1727), e os partidários de Huyghens (1629-1695), que admitia para a luz uma natureza ondulatória.
A observação num anteparo (ou alvo) de zonas claras alternando com zonas escuras, quando um feixe de luz monocromática passa através de uma fenda estreita, foi uma experiência crucial na decisão que favorecia a interpretação de Huyghens.  
Passagem da luz por duas fendas (S1 e S2).
A difração da luz provocada pelos bordos das fendas, assim como a interferência posterior entre
 os raios emergentes, cria um padrão de zonas claras (com luz) e escuras (sem luz) num anteparo.

Rosa Espada

Lugre (Carduelis spinus)


A preparação taxidérmica da imagem mostra que o lugre (Carduelis spinus), também conhecido por pintassilgo verde, é uma ave com a cabeça pequena e a cauda curta, distinguindo-se pelas asas escuras com manchas brancas amareladas ou amarelas contrastantes, pelos lados da cauda amarelos na base e a parte inferior dos flancos intensamente riscada. Reproduz-se em florestas mistas ou de coníferas, sobretudo em abetos. Constrói o ninho na parte mais alta dos abetos, alimentando-se de sementes de amieiro ou de vidoeiro. Trata-se de uma ave invernante comum que em Portugal se observa de meados de Outubro a meados de Abril. O porte do adulto varia entre 11,5cm-12,5cm.


O lugre é uma ave bastante acrobática tal como pode ser observado neste vídeo
a comer sementes apoiado sobre ramos muito frágeis.

Rosa Espada

Secção de caule

Modelo que representa uma secção do caule de uma planta. As diferentes cores marcam áreas constituídas por grupos de células específicas, distribuídas desde a epiderme periférica (castanho escuro) até ao centro deste órgão, ocupado pelas células xilémicas e floémicas, no interior das quais circulam as seivas (sector circular branco com espaços ocos).
Rosa Espada

Amperímetro

Um amperímetro é um instrumento científico utilizado para medir a intensidade da corrente eléctrica que passa por um fio e tanto pode medir a corrente contínua como a corrente alterna. Por isso, a sua resistência interna deve ser a menor possível, ou seja, comparável às resistências do circuito eléctrico em que venha a ser utilizado. O amperímetro da imagem apresenta uma armação cilíndrica em metal (pintada de preto) e tem o mostrador com janela de vidro e cercadura em metal cromado. O ponteiro desloca-se em frente a uma escala graduada de 0 a 75 ampères.

Hiperligação:
Rosa Espada

Candeia de Hefner

Lâmpada concebida em 1880 por Friedrich Hefner-Alteneck (1845-1904) também designada «candeia de Hefner», utilizada em fotometria como unidade luminosa. Esta lâmpada utiliza acetato de amido. Uma pequena lente permitia controlar com precisão a altura da chama.
Rosa Espada

Balança romana composta

Instrumento de medida, uma balança, composta pela combinação de duas alavancas, a superior interfixa e a inferior inter-resistente. As duas alavancas estão suspensas de uma armação que nos lembra um palco de teatro, artisticamente executada em madeira de três cores esculpida e com embutidos. Trata-se de uma peça do século XVIII em que, sem dúvida, se conjugam o engenho e a arte. As duas alavancas estão ligadas de modo que a força potente da alavanca inferior é, simultaneamente, a força resistente da alavanca superior, de tal modo que é possível equilibrar corpos bastante pesados, suspensos no gancho da alavanca inferior, com um peso muito menor, suspenso de um gancho móvel ao longo do braço maior da alavanca superior. Existiam para esse efeito cinco pesos de latão dos quais já nenhum resta.
Dalla Bella (1730-c.1823), no Index Instrumentorum, descreve esta peça como uma balança composta por duas balanças romanas que se conjugam com arte. No seu livro refere-a por "balança dos holandeses".
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A carnívora Dionaea muscipula (Apanha-moscas)


Modelo que representa as folhas da planta carnívora (insectívora) Dionaea muscipula. Cada folha desta planta é modificada na extremidade, formando duas partes com as concavidades voltadas uma para a outra - a armadilha - e as margens dentadas. O modelo tem representado um insecto capturado, aparentemente uma mosca.
Na periferia destas folhas existem umas glândulas que segregam o néctar que atrai os insectos e no interior das "mandíbulas", na zona avermelhada, encontramos as glândulas digestivas. Se observarmos minuciosamente, encontramos três pequenos pêlos de cada lado das concavidades; estes, são os pêlos tácteis que permitem à planta saber que está na presença de um insecto (ou objecto) e, em seguida, capturá-lo. A "mandíbula" fecha se dois desses pêlos forem tocados simultaneamente ou se um deles for tocado duas vezes seguidas.

Hiperligações:
"A Vida Privada das Plantas" (BBC), David Attenborough mostra-nos como a Dioneia muscipula (e as Sarracenia sp.) capturam as suas presas (3 min 29s).
Karnivoras.com
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Reóstato


O reóstato é um dispositivo utilizado para fazer variar a resistência de um circuito eléctrico, aumentando ou diminuindo, conforme o desejado, a intensidade da corrente nesse circuito. São dispositivos que podem apresentar formas e dimensões diversas de modo a obter uma resistência variável.
Na imagem, apresenta-se um reóstato constituído por uma base de ferro fundido na qual se fixa uma placa circular de pedra de cor negra, com uma gola em toda a sua circunferência. Nessa gola fica posicionada uma hélice de fio metálico grosso, cujas extremidades se ligam a dois bornes. Esta hélice fica, assim, com um contorno circular. Um pequeno manípulo de madeira centrado na placa faz mover um comutador ao longo da hélice, permitindo deste modo variar a resistência útil da mesma. A base está pintada de preto com uma decoração simples de linhas douradas. Assenta por três pés com orifícios, que se podem fixar por parafusos a uma base sólida.
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Sino de mergulhador

Modelo do chamado sino de mergulhador, que foi usado em explorações subaquáticas para descobrir tesouros submersos. Pensa-se que o primeiro destes sinos terá sido construído em Inglaterra, em 1717, pelo astrónomo e cientista Edmund Halley (1656-1742). Estes sinos eram formados por campânulas resistentes (normalmente, em ferro) que se transportavam a profundidades apreciáveis debaixo de água. A explicação do funcionamento deste aparelho baseia-se na propriedade de impenetrabilidade do ar. O ar retido na campânula quando esta descia impedia a água de entrar, e servia, ao mesmo tempo, para a respiração. Este ar podia ser renovado por meio de uma bomba, saindo o ar viciado por um tubo adaptado na parte superior, ou, então, para obter o mesmo efeito, o sino teria que vir periodicamente à superfície. Estes aparelhos era usados com o fim de executar qualquer trabalho debaixo de água ou apanhar objectos submergidos (em destroços de navios afundados esta actividade era um negócio lucrativo). O modelo da imagem foi construído com madeira, metal (chumbo e latão), vidro e um cordão.

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Cubos de madeira

Conjunto de quatro cubos idênticos em madeira escura. Originalmente eram oito cubos, que quando juntos formavam um cubo de maiores dimensões. Este instrumento científico era destinado a demonstrar que a divisibilidade de um objecto aumenta a sua superfície.
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Nónio rectilíneo

Modelo de nónio rectilíneo feito de madeira. Segundo os franceses, que denominam este instrumento "vernier", o mesmo terá sido concebido pelo matemático francês Pierre Vernier (1580-1637). O aparelho, em português denominado nónio, é atribuído ao célebre matemático português Pedro Nunes (1502-1578). Trata-se de um instrumento que permite medir com rigor comprimentos da ordem das dezenas de milímetros e que está presente em aparelhos de medida quando é necessária maior precisão, por exemplo, nos barómetros (medição da pressão atmosférica) e nos catetómetros (medição de distâncias precisas sem contacto mecânico).
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Modelo de microscópio óptico composto

Um modelo de microscópio óptico composto constituído por um pé de madeira pintado de preto, de base circular, que suporta uma barra rectangular horizontal também de madeira. Sobre esta barra estão fixos os diferentes componentes de um microscópio composto, isto é, formado por várias lentes e diafragmas. Trata-se de um modelo com finalidade didáctica, pelo que, na barra estão desenhadas as trajectórias dos raios luminosos entre as diferentes lentes para uma melhor compreensão do funcionamento do aparelho (na imagem apresentada não é possível observar este pormenor).
Rosa Espada

O Equilibrista

O Equilibrista é um dispositivo de demonstração muito antigo utilizado no estudo do centro de gravidade, e que era comum encontrar desde os finais do século XVII em Gabinetes de Física ou como peça decorativa. O boneco de madeira está elegantemente vestido à maneira da época e equilibra-se sobre um bonito suporte, apoiando-se apenas pela ponta de um espigão existente sob um dos seus sapatos. Segura nas mãos uma vara dobrada em U invertido, nas extremidades da qual existem duas pesadas esferas metálicas, cuja função é fazer baixar o centro de gravidade do conjunto abaixo do ponto de apoio: a ponta do pé. Actualmente, o valor artístico e histórico desta peça ultrapassa de longe a sua função original. Instrumentos deste tipo, embora com concepções muito mais simples, são ainda hoje comuns, aparecendo frequentemente sob a forma de brinquedos didácticos.
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Bico de Bunsen


O bico de Bunsen é um aparelho aperfeiçoado por Robert Wilhelm Bunsen (1811-1899), a partir de um dispositivo desenhado por Michael Faraday (1791-1867). É utilizado nos laboratórios para efectuar o aquecimento de soluções ou substâncias. Queima em segurança um fluxo contínuo de gás sem haver o risco da chama se propagar pelo tubo até ao depósito de gás que o alimenta.

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