O serviço público de educação é um pilar essencial e imprescindível de uma democracia que, por definição, garanta a igualdade de oportunidades e o desenvolvimento integral de uma sociedade moderna.
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20 março = Dia Internacional da Felicidade



O Dia Internacional da Felicidade é assinalado hoje pela primeira vez. A data, 20 de Março, foi definida em resolução da Assembleia Geral aprovada no ano passado, reconhecendo a relevância da felicidade e do bem-estar como objectivos universais.

Numa mensagem sobre o dia, o Secretário-Geral da ONU destacou que a «busca pela felicidade é um elemento essencial do esforço humano». Ban Ki-moon lembrou que, em todo o mundo, as pessoas aspiram viver uma vida feliz e plena, livre de medos e em harmonia com a natureza.

O mestre em Psicologia pela Universidade de São Paulo e autor de uma pesquisa sobre a felicidade concorda: todos buscam esse estado de espírito. Em entrevista à Rádio ONU, Luciano Espósito Sewaybricker explica que não existe um segredo para a felicidade, mas é preciso a pessoa conhecer-se muito bem.

«Cabe a cada um descobrir a forma ideal de viver e que faz sentido para si. Acredito que o autoconhecimento é fundamental e é ele que vai garantir que a felicidade não seja tão banalizada, no sentido dos outros poderem dizer o que é felicidade para si. Porque então compra a felicidade em pacotes prontos e pré-programados. 


Entendo que a felicidade depende dessa introspecção, desse autoconhecimento, mas, ao mesmo tempo, de se estar aberto para se relacionar com outras pessoas», salientou.

O psicólogo sublinha que o conceito mudou ao longo do tempo. «Actualmente, ser feliz tornou-se um peso. ´Temos` que ser feliz. E quanto mais as pessoas querem ter a felicidade, mais elas se vão sujeitar a uma felicidade simplista. E esse movimento é potencializado face ao contexto em que vivemos, de uma sociedade que se organiza em torno do consumo».

O bem-estar material é também citado pelo Secretário-Geral da ONU. Ban Ki-moon notou ser uma meta «difícil de ser alcançada pelas pessoas que vivem na pobreza extrema» e por aqueles que enfrentam as ameaças das crises socio-económicas. Ban defendeu um maior compromisso com o desenvolvimento humano inclusivo e sustentável. Quando «contribuímos para o bem-estar comum, ficamos enriquecidos» e a «compaixão promove a felicidade e irá ajudar na construção do futuro que queremos», frisou.

Fonte:

José Fernando Vasco

«Cartas a um Filho Adolescente» de Rui Valada

Disponível para consulta na BECRE
graças à amável oferta do autor

e da Graal Editores

«(...) não pretendo escrever-te este livro em tom paternalista, dando-me ares superiores ou poses de mestre, na convicção de que só se fores tolo não me darás ouvidos. Não. O que quero  é apenas transmitir-te as minhas reflexões de aselha mais velho e com um maior currículo de asneiras, o que talvez te possa evitar algumas e facilitar que progridas muito além de mim ou, pelo menos, mais depressa.»

Fonte: contracapa


Rosa Espada

António Damásio: «O Livro da Consciência»

Disponível para consulta na BECRE. 

«Como é que o cérebro constrói a mente? E como é que o cérebro torna essa mente consciente? Qual a estrutura necessária ao cérebro humano e qual a forma como tem de funcionar para que surjam mentes conscientes?

Há mais de trinta anos que o neurocientista António Damásio estuda a mente e o cérebro humanos e é autor de vasta obra publicada em livros e artigos científicos. No entanto, formulou o presente livro como um recomeço, quando a reflexão sobre descobertas importantes da investigação, recentes e antigas, alterou profundamente o seu ponto de vista em duas questões particulares: a origem e a natureza dos sentimentos, e os mecanismos por detrás do eu.
O Livro da Consciência constitui assim um debate sobre as noções actuais nestes domínios, e uma proposta de novos mecanismos para a construção dos sentimentos e da consciência. Uma obra magistral que deixa entrever aquilo que ainda não sabemos sobre o cérebro e a consciência, mas gostaríamos muito de saber, e que estabelece uma ponte entre a biologia e a cultura.»

Fonte:
contra-capa

José Fernando Vasco



11º Mini-Fórum Estudante


No passado dia 23 de fevereiro, a Escola Secundária de Cacilhas-Tejo realizou a 11ª edição do Mini-Fórum Estudante, estando presentes trinta e oito instituições. A comunidade educativa pôde conhecer a oferta formativa do Ensino Superior, Ensino Militar e Escolas Profissionais mas também as atividades dos Bombeiros de Cacilhas, ONG’s e Associações, como O Farol, o Comércio Justo ou a AMI.


Os alunos do 12º ano, turmas A e B, assistiram à palestra "Psicologia:  saídas profissionais" com a professora doutora Sónia Gonçalves, do Instituto Piaget.



O Mini-Fórum Estudante encerrou de uma forma animada com a banda “Blood Brothers”.

Sónia Lapa
(Coordenadora do Mini-Fórum Estudante)

11ª edição Mini-Fórum Estudante

Cartaz de Jaime Quental (aluno CP - Design Gráfico)
Numa iniciativa dirigida para a cidadania e orientação escolar, a Escola Secundária Cacilhas-Tejo, no dia 23 de fevereiro de 2012, promoverá a 11ª edição do “Mini-Fórum Estudante”. A atividade, que pertence ao Plano de Ação Cultural da Câmara Municipal de Almada, desde 2009, decorrerá entre as 10 e as 13 horas podendo a comunidade escolar contactar com instituições do Ensino Superior, Escolas Profissionais, Ensino Militar e Centros de Formação. Neste evento também estarão presentes o CNO da ESCT, a Imaginarte/F4, a Associação para a Cidadania “O Farol”, os Bombeiros Voluntários de Cacilhas, a AMI e o Comércio Justo.



Saliente-se ainda a palestra “Psicologia: saídas profissionais” com a Professora Doutora Sónia Gonçalves, do Instituto Piaget. A palestra realizar-se-á na BECRE pelas 10.15.

O encerramento do MFE contará com um momento musical da banda “Blood Brothers”. Este grupo, influenciado pelo indie folk contemporâneo, é constituído por quatro elementos entre os quais Carina Júlio do 10ºF. A sua formação ocorreu no passado verão e desde então desenharam um percurso em street performance  nas ruas de Lisboa e de Almada. No encerramento do MFE poderemos ouvir originais da banda mas também recordar temas de Edward Sharpe & the magnetic zeros,  Mumford & Sons ou The Beatles.

Sónia Lapa
Coordenadora Mini-Fórum Estudante

Conferência «Em causa: aprender a aprender»


A expressão “aprender a aprender” tem aparecido cada vez mais no discurso pedagógico, por vezes querendo expressar “aptidão para o pensamento crítico” e “aptidões metacognitivas”, outras vezes transmitindo a ideia de que os conteúdos de aprendizagem não são tão relevantes como o próprio processo de aprendizagem e, até mesmo, expressando manifesta antipatia pela excessiva transmissão de conteúdos. As expressões usadas em cursos de educação podem aparecer tão emaranhadas umas nas outras que, quem é seduzido pela expressão “aprender a aprender”, parte do pressuposto errado de que se pode separar o conhecimento factual da atitude para o adquirir.
Ora, o avanço das ciências da educação e da psicologia experimental têm lançado luz sobre as questões das atitudes e dos conteúdos. Em particular, reconhece-se hoje que a memória se pode e deve treinar, mas isso só pode ser feito se houver algo que se memorize. Era exagero o ensino básico tradicional baseado na mera memorização de nomes de reis e de rios. Mas é maior exagero pensar que se pode obter a capacidade de memorizar sem ter previamente adquirido um conjunto de informações que ficam residentes no cérebro prontas a serem usadas.


Lynne Reder
“Aplicações da psicologia cognitiva à educação” 

Ideias-Chave
- Alguns estudos demonstraram a importância:
·         do estudo espaçado,
·         da prática (fazer),
·         a variabilidade na transmissão dos conteúdos (dar diferentes exemplos ),
·         da sala neutra sem distracções (cores garridas e demasiada informação nas paredes-prejudicial)
·         da importância de ensinar a aplicar novas competências, e não apenas promover uma aprendizagem em contexto
-  Meta cognição como ferramenta para a aprendizagem;
- SRL: Self-Regulated Learning
- As crenças influenciam a performance

Frase a reter:
O cérebro é como um músculo. Precisa de ser exercitado, caso contrário, atrofia.

Paula Carneiro
“Promover a aprendizagem através dos “testes”

Ideias-chave:
 - Os testes não são meros instrumentos de avaliação. Devem ser utilizados como ferramentas para promover a aprendizagem a longo prazo;
- A retenção dos conteúdos é mais eficaz quando há um esforço de pensar, de recordar.

Frase a reter:
Os estudantes devem ser incentivados a incluírem os autotestes repetidos, nas suas práticas de estudo, pois estes permitem não só uma melhor retenção a curto e a longo prazo, como a transferência de informação, em comparação com a leitura e estudo de apontamentos.

Pedro Albuquerque
“É preciso levar a memória de trabalho para a escola?”

Ideias-chave:
- A memória de trabalho é diferente da memória a curto prazo. Esta retém, no máximo, os últimos 30 a 40 segundos.
- A memória de trabalho é uma memória que nos permite operar sobre o meio envolvente recorrendo à retenção e processamento de informação por períodos curtos de tempo socorrendo-se de estratégias cognitivas desenvolvidas ao longo da vida;
- A memória de trabalho permite melhorar o desempenho na Leitura, Escrita e Matemática (estudo em crianças de 4 anos comprovam que as crianças com níveis elevados de memória de trabalho revelam excelentes capacidades matemáticas e de leitura);
- Deve existir uma intervenção precoce ao nível da memória de trabalho, sendo que um dos aspectos essenciais é a repetição;
- Não há melhor forma de aprender do que “aprender de cor” (de cuore ou com o coração), ou seja, com esforço.

Frase a Reter:
A capacidade de memorização facilita a aprendizagem

Reder, Lynne e outro (2011). Em causa: aprender a aprender. Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Hiperligação:
Ana Paula Silva
Sónia Ferreira

Ciclo de Cinema: América Proibida

No próximo dia 13 de outubro iremos começar o nosso Ciclo de Cinema com o filme "América Proibida".
Várias questões sobre a dimensão ética do agir poderão ser abordadas.
Qual a origem dos valores éticos?
A hierarquia individual dos valores, pela qual pautamos as nossas ações, poderá sofrer alterações?
Que justificações poderão existir para os comportamentos racistas e xenófobos?





Título Original: "American History X" (1998)
Realização: Tony Kaye
Argumento: David Mckenna
Actores: Edward Norton, Edward Furlong, Beverly D'Angelo.
119 min

SINOPSE
Danny Vinyard (Edward Furlong) é um adolescente influenciado pelo seu irmão mais velho, Derek (Edward Norton), um skinhead repleto de ódio por todos os que são diferentes de si. A aversão a outras raças dispara com a morte do pai. Ele inicia uma viagem ao mundo da violência que o vai levar à prisão. Nesse período de solidão Derek apercebe-se que pode ser um homem diferente. A única incerteza é se vai ser capaz de ajudar o irmão.
13 de outubro de 2011 - 15:20 horas
Organização conjunta BECRE/Professores de Filosofia

Hiperligação:
IMDB/América Proibida
Sónia Lapa

Mark Pagel: como a linguagem transformou a humanidade

Mark Pagel apresenta uma teoria sobre o desenvolvimento da linguagem. Os primeiros humanos viveriam uma crise provocada pelo roubo visual que é a aprendizagem social e que se traduz no conflito de manter os conhecimentos dentro da família ou partilhá-los com outros. A evolução da linguagem foi a solução dessa crise permitindo alcançar algo fundamental: a cooperação. Para este biólogo a linguagem é uma "peça da tecnologia social para aumentar os benefícios da cooperação, para se fechar contratos, para se fazer acordos e para coordenar as nossas atividades".

Fonte: Ted.com

 

Sónia Lapa

Centro de Filosofia das Ciências »»» BECRE e o reforço do fundo documental

     
Disponíveis para consulta na BECRE
a partir de 22.06.2011
graças à amável doação do Centro de Filosofia das Ciências (UL)
e da sua coordenadora científica, Professora Olga Pombo

Artigo relacionado:
Escola, Ensino e Instrução, segundo Olga Pombo

Hiperligações:
Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa

Ana Silva
José Fernando Vasco

«Dicionário enciclopédico da Psicologia» (ed. apoiada pelo Min. da Cultura de França)

Disponível para consulta na BECRE
a partir de 20.06.2011

Obra de referência apoiada pelo Centro Nacional do Livro (Ministério francês da Cultura), o «Dicionário enciclopédico da Psicologia» (2005) aborda:

* a História da Psiquiatria
* a História da Psicologia
* a História da Psicanálise
* Grandes teóricos
* as grandes questões da vida quotidiana
*as principais psicopatologias
* glossário dos termos essenciais em Psicologia, Psiquiatria e Psicanálise.

José Fernando Vasco

Mostra de Escola - Voando sobre um ninho de cucos

No âmbito da Mostra de Escola o grupo de Filosofia convida a comunidade escolar a assistir a um dos mais emblemáticos filmes de Milos Forman, que serviu para alertar a opinião pública americana para questões relacionadas com os Direitos Humanos.

Realizado em 1975 e protagonizado por Jack Nicholson, Louise Fletcher, Brad Dourif, Danny DeVito, Christopher Lloyd e Vincent Schiavelli conta uma estranha história sobre Randle Patrick McMurphy (Nicholson), um jovem delinquente que, para escapar a uma pena de trabalhos forçados, resolve fingir-se de doente mental. Quando chega à instituição psiquiátrica onde é internado, começa a confrontar-se com os abusos físicos e psicológicos (na figura das lobotomias) praticados pela calculista enfermeira-chefe Ratched (Fletcher) e resolve desafiar as autoridades, instigando os doentes a revoltarem-se contra os tratamentos pouco ortodoxos da enfermeira.
Fonte: Infopédia

BECRE - Dia 2 de Junho de 2011 – 15.20
numa iniciativa dos Professores de Filosofia
Sónia Lapa


«Confessions of a Shopaholic» (Louca por Compras)

A BECRE neste Natal também foi às compras e na nossa lista constava, entre outros, o filme Louca por Compras (original - Confessions of a Shopaholic) com a divertida Isla Fisher e baseado no romance homónimo de Sophie Kinsella.
Este filme que, a um espectador menos atento, poderá parecer algo frívolo, é um excelente retrato da sociedade consumista, do problema real que é a compensação de carências através de compras, tornando-se um vício, e da manipulação a que somos sistematicamente sujeitos com a publicidade e que nos leva a adquirir produtos que nada têm de essencial.
O filme conduz-nos às mais glamorosas e elegantes lojas de Nova Iorque com montras irresistíveis e, tal como Becky Bloomwood, sentimos dificuldade em fugir à tentação de comprar tudo. O dia-a dia de Becky é uma verdadeira aventura e esta gastadora inveterada dá por si a escrever uma coluna financeira para uma revista de economia, perspectivando realizar o seu sonho... escrever para uma revista de moda. Por ironia do destino, a sua coluna é um êxito o que resulta em situações verdadeiramente cómicas.
Este DVD é um recurso útil na prática docente, podendo ser explorado a vários níveis e disciplinas com a vantagem de ser uma forma lúdica de motivar a reflexão sobre temas como, por exemplo:
  • consumismo;
  • a concepção de "cliente satisfeito" ("happy costumer");
  • organizações de apoio ao consumidor;
  • adições e outros comportamentos compulsivos;
  • publicidade;
  • influência dos mass media na sociedade.
São apenas algumas sugestões, outras ideias e comentários serão bem vindos!!


Cristina Oliveira

Harry Harlow - Vinculação

Harry F. Harlow (1905-1981) foi um psicólogo norte-americano que ficou conhecido pelas suas experiências sobre a privação maternal e social em macacos Rhesus, e que demonstraram a importância dos cuidados, do conforto e do amor nas primeiras etapas do desenvolvimento.
As suas experiências laboratoriais consistiram na criação de duas “mães” artificiais (imitação de uma macacos Rhesus), uma era feita apenas com armação de arame enquanto a outra, era também de armação de arame, porém, forrada com pano felpudo e macio.
Harlow observou que os macacos bebés preferiam claramente as “mães” mais confortáveis. Esta preferência mantinha-se independentemente de qual a mãe que fornecia o alimento. Outras observações mostraram que o que estava em causa não era só a procura de conforto.
O contacto parecia ser essencial ao estabelecimento de uma relação que transmitia segurança. Perante um estímulo gerador de medo, os macaquinhos agarravam-se à “mãe” macia tal como o fariam a uma mãe real. Este comportamento nunca era observado com as “mães” de arame, mesmo em macaquinhos criados só com ela.
Além disso, perante uma situação com muitos estímulos novos e na presença da “mãe” confortável, as reacções de medo e de se agarrar, rapidamente davam lugar à exploração curiosa dos objectos, com regressos periódicos à “mãe” para recuperar a segurança.
Pelo contrário, na ausência da “mãe” confortável, os macaquinhos ficavam paralisados pelo medo e não exploravam o ambiente. Isto acontecia também na presença da “mãe” de arame, mesmo em macaquinhos criados sempre na sua presença. Ou seja, uma “mãe” desconfortável é incapaz de transmitir segurança.
O resultado desta e de outras experiências, permitiram a Harlow concluir que a variável contacto reconfortante superava a variável amamentação.
Harlow observou ainda que os macacos Rhesus com mães reais, demonstravam comportamentos social e sexual mais adiantados dos que os criados com mães substitutas de pano, e que estes últimos apresentavam comportamentos sociais e sexuais normais se diariamente tivessem oportunidade de brincar no ambiente estimulador dos outros filhotes.

Fonte: psicologiaexperimental.blogs.sapo.pt


Sónia Lapa

Freud e a Nova Concepção do Ser Humano

Sigmund Freud (1856-1939), considerava a natureza humana selvagem e caprichosa desejosa de satisfazer os seus impulsos básicos. Contudo, as restrições da sociedade interiorizadas durante a infância levam a que a criança, primeiro por medo e depois por opção, oriente as suas acções pelas regras e valores da realidade social e cultural.
Se as pulsões são recalcadas elas porém não desaparecem, procurando e encontrando vias para se manifestar, levando a mecanismos cada vez mais repressivos. Nesta medida, existe um conflito intrapsíquico constante entre as exigências pulsionais, instintivas e as exigências da sociedade exprimindo-se em pensamentos e actos, à primeira vista incompreensíveis.
Mas quem são os antagonistas do conflito interior?
O id é a parte mais instintiva da personalidade encerrando todas as pulsões biológicas básicas: comer, beber e, acima de tudo obter prazer sexual. A única lei do id é o princípio de prazer – a satisfação imediata e egoísta desconhecendo restrições morais ou sociais.
O ego deriva do id quando a criança compreende que certas gratificações não ocorrem quando quer. A presença da mãe ou o biberão só chegam quando chora. Há uma consciencialização crescente de uma realidade que lhe é exterior. O ego obedece ao princípio da realidade tentando satisfazer o id mas de modo pragmático de acordo com as exigências do mundo real.
O id não é o único senhor do ego. À medida que a criança cresce desenvolve-se uma espécie de juiz que representa as regras e castigos interiorizados dos pais e, através deles, da sociedade. É o superego. Inicialmente o ego preocupa-se com a realidade externa inibindo acções inspiradas pelo id para evitar aborrecimentos. Mas com a intervenção do superego, o ego começa a inibir acções pois a criança começa a agir e a pensar como se ela mesma fosse o progenitor que louva ou castiga.
A formação do superego coloca o ego numa posição difícil entre dois senhores infantis que emitem ordens contraditórias. As exigências do id são contrárias à razão mas os rigores do superego também se radicam numa irracionalidade imatura. O superego formou-se quando as capacidades cognitivas da criança ainda eram bastante rudimentares, interiorizando o que compreendia. Neste sentido, Freud considerava-o predominantemente inconsciente.
Em suma, o que a divisão tripartida da vida psíquica apresenta, segundo Freud, é uma nova compreensão dos nossos pensamentos e acções à luz da interacção de três factores principais: os impulsos biológicos, as maneiras de satisfazer esses impulsos e a dominar o mundo exterior e as ordens exteriores e interdições da sociedade. A contribuição de Freud reside na insistência em que os conflitos entre estas três forças são interiores ao indivíduo, provêm das experiências da infância e mantêm-se, sem que o indivíduo conscientemente se aperceba disso.

Texto adaptado de:
GLEITMAN, Henry, FRIDLUND, Alan e REISBERG, Daniel (2009).Psicologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 8ª ed, pp. 971-977.




Hiperligações:
Biografia de Freud
Conferências introdutórias sobre psicanálise
Teoria psicossexual de Freud
Freud , o inconsciente, mecanismos de defesa
Entrevista com António Damásio sobre Freud

Títulos disponíveis na BECRE



Sónia Lapa

«Os 50 autores mais influentes do século XX»

A revista Ler disponibiliza em PDF o dossiê «Os 50 autores mais influentes do século XX...» com texto de José Mário Silva. 
A escolha recaiu sobre romancistas, poetas, dramaturgos, filósofos, astrónomos e o dossier contém um pequeno texto de apresentação e uma imagem de cada escolhido.
No grupo de 50 personalidades encontram-se nomes como o de Fernando Pessoa, Carl Sagan, Sigmund Freud, Karl Popper, Ernest Hemingway, J.K. Rowling ou Tolkien, o autor de O Senhor dos Anéis.
Esses pequenos textos poderão ser utilizados para introdução a uma temática na qual o autor seja uma das referências máximas.


Hiperligação:
José Fernando Vasco

Behaviorismo de Skinner

Skinner foi um dos primeiros teóricos a insistir numa distinção entre condicionamento clássico e condicionamento instrumental. No condicionamento clássico o comportamento do animal é provocado pelo estímulo do exterior. No condicionamento instrumental o organismo está muito menos à mercê da situação exterior. As respostas são voluntárias, operam no ambiente para realizar uma mudança que leva à recompensa. Tal como Thorndike, Skinner acreditava na lei do efeito, sublinhando que a tendência para emitir as respostas operantes é fortalecida pelas respectivas consequências.
No entanto, se a resposta é emitida pelo organismo isto não significa que os estímulos externos não tenham qualquer efeito. Estes exercem realmente um controlo apreciável sobre o comportamento pois funcionam como estímulos descriminativos. Suponhamos que se treina um pombo a carregar num pedal para obter um pouco de grão. Quando se acende uma luz verde, o acto de carregar no pedal será recompensado. Mas quando se acender uma luz vermelha essa resposta de nada servirá, pois o pombo não terá acesso ao alimento. Nestas circunstâncias, a luz verde torna-se um estímulo discriminativo positivo e a luz vermelha um estímulo discriminativo negativo. O pombo vai carregar no pedal na presença do primeiro, mas não na presença do segundo.
No contexto da aprendizagem instrumental, o reforço refere-se a fazer seguir a resposta de algo que o animal “prefere”. Pode ser a apresentação de uma coisa “boa”, como seja o grão, no caso de um pombo com fome. O grão é um exemplo de um estímulo apetitivo (um estímulo para o qual o animal tem, por assim dizer, apetite). Pode também consistir na cessação ou na prevenção de uma coisa “má” como quando se põe termo a um choque eléctrico. O choque é um exemplo de estímulo aversivo que o animal tudo fará para evitar.
No reforço positivo a resposta produz um estímulo apetitivo – um rato pressiona a alavanca para obter comida. No reforço negativo a resposta instrumental elimina ou evita um estímulo aversivo – um rato salta uma barreira para escapar a um choque eléctrico.
Do mesmo modo que no condicionamento clássico, a probabilidade de resposta aumenta com o número crescente de reforços. E, novamente como no condicionamento clássico, a resposta sofre extinção quando o reforço é suspenso.

Texto adaptado de:
GLEITMAN, Henry (1999). Psicologia. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, pp. 153-155.

Título disponível para consulta na BECRE

Artigos relacionados:

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Sónia Lapa

Condicionamento Clássico

Há duas grandes teorias de condicionamento na aprendizagem: o condicionamento clássico e o condicionamento operante.
O esquema do condicionamento clássico baseia-se nas experiências de Ivan Pavlov, fisiologista russo, e resume-se na sequência "Estímulo do meio -> Resposta do sujeito": perante um estímulo natural ou incondicionado (que provoca uma resposta só pela sua presença) observa-se a resposta. Por exemplo, na experiência mais conhecida de Pavlov, observa-se que o cão saliva na presença da carne. Trata-se de uma resposta natural e, por isso, incondicionada. A esse estímulo incondicionado é associado um estímulo neutro (que não provoca qualquer resposta). No caso da experiência de Pavlov, associou-se ao aparecimento da carne um toque de campainha. É evidente que o cão volta a salivar devido à presença da carne. Esta resposta é ainda incondicionada. Repete-se algumas vezes esta associação de estímulos (incondicionado e neutro). A resposta passa a ser condicionada quando o cão responde, salivando, à simples presença da campainha, que era o estímulo neutro. Neste momento a campainha passa a chamar-se estímulo condicionado e a resposta do cão, porque não existia, foi aprendida (uma vez que o cão não salivava na simples presença da campainha), passa a chamar-se resposta condicionada. Aqui diz-se que se dá a aquisição. A extinção dá-se quando, após algumas apresentações do estímulo condicionado sem o incondicionado (a campainha sem a carne), o cão vai deixando de responder
(de salivar).

Fonte:
Edusurfa



Hiperligação:
Sónia Lapa

Neurociência: Conhece as cores?

O Efeito Stroop

A imagem representa uma ilusão visual cognitiva, na medida em que provoca um conflito entre os sistemas de processamento sintáctico e simbólico do nosso cérebro. Olhe para as palavras uma a uma sem parar ou abrandar a velocidade de visão, mas em vez de ler cada palavra, diga apenas em voz alta a cor em que esta aparece. É difícil, não é? A confusão entre a palavra escrita e a cor instala-se facilmente na nossa mente.
Rosa Espada

Dossier de Psicologia: um Espaço Multidisciplinar

Encontra-se disponível na nossa BE / CRE, a Revista de Humanidades e Tecnologias nº4/5: Dossier Psicologia. É uma edição da Universidade Lusófona de Humanidades, dirigida por Fernando dos Santos Neves, contendo ensaios, documentos e dossiês dos quais destacamos os seguintes:

- Em busca da esmeralda perdida - stress e qualidade de vida na contemporaneidade de Artur M. Parreira .
- Lusofonia/lusografia na viragem do milénio de José Luís Fontenla.
- A emergência do factor social na teoria e prática da psicologia vocacional de António M. Diniz.
- Psicologia criminal e do comportamento desviante: da compreensão à intervenção juspsicológica de Carlos Alberto Poiares.
- Psicologia do desporto e das actividades físicas: no caminho da afirmação criam-se oportunidades de João Antunes, Marina Carvalho.
- Aprender a lidar com as dificuldades emocionais: o centro de acolhimento para estudantes de Américo Baptista, Ana Pereira, Marina Carvalho, Fátima Lory, Rita Santos.
- Um relance sobre a adolescência: perspectiva sociológica e social de Daniel Sampaio, Pedro Frazão e Susana Tereno.
- A guerra dos sexos: do eterno feminino ao eterno masculino de Maria Manuela Costa.
- Lusofonia: mitos, realidades e potencialidades de António de Almeida Santos.
- Sentidos e des-sentidos da lusofonia e da CPLP de Fernando dos Santos Neves.

Conceição Toscano
Sónia Lapa
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